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10 outubro 2011

Impressões do Brazil no Seculo Vinte

Impressões do Brazil no Seculo Vinte - [41-D]

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Clique nesta imagem para ir ao índice da obraAo longo dos séculos, as povoações se transformam, vão se adaptando às novas condições e necessidades de vida, perdem e ganham características, crescem ou ficam estagnadas conforme as mudanças econômicas, políticas, culturais, sociais. Artistas, fotógrafos e pesquisadores captam instantes da vida, que ajudam a entender como ela era então.
Um volume precioso para se avaliar as condições do Brasil às vésperas da Primeira Guerra Mundial é a publicação Impressões do Brazil no Seculo Vinte, editada em 1913 e impressa na Inglaterra por Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd., com 1.080 páginas, mantida no Arquivo Histórico de Cubatão/SP. A obra teve como diretor principal Reginald Lloyd, participando os editores ingleses W. Feldwick (Londres) e L. T. Delaney (Rio de Janeiro); o editor brasileiro Joaquim Eulalio e o historiador londrino Arnold Wright. Ricamente ilustrado (embora não identificando os autores das imagens), o trabalho é a seguir reproduzido, em suas páginas 821 a 828, referentes ao Estado (ortografia atualizada nesta transcrição):




Companhia Telefônica Rio-Grandense - O serviço de comunicações telefônicas no estado do Rio Grande do Sul foi iniciado pela Empresa Industrial Construtora do Rio Grande do Sul, proprietária dos centros telefônicos estabelecidos nas cidades de Pelotas, Rio Grande e Porto Alegre, e bem assim dos privilégios concedidos pelas extintas Câmaras Municipais das três cidades, constantes dos contratos que adquiriu. O da cidade de Porto Alegre é datado de 8 de março de 1884 e o da do Rio Grande de 27 de maio de 1885, ambos por 15 anos; e o da de Pelotas é datado de 13 de outubro de 1886, por dez anos. Todos esses privilégios foram aprovados pela Assembléia Legislativa da antiga província.
Para comprar o acervo daquela empresa, organizou-se em Pelotas, a 24 de maio de 1895, uma sociedade anônima de responsabilidade limitada, sob a denominação de Empresa União Telefônica, com o capital de Rs. 500:000$000, que foi, mais tarde, elevado a Rs. 600:000$000. Esta sociedade continuou explorando, sem concorrentes, os serviços de sua antecessora nas três cidades acima mencionadas, até que, tendo já há muito expirado o prazo do privilégio que possuía, o coronel Juan Ganzo Fernandez, proprietário de diversos centros telefônicos em várias localidades do estado, obteve em 1906, da Intendência Municipal de Pelotas e da de Rio Grande, concessões para instalar centros telefônicos nessas duas localidades.
Estabelecidos tais centros e após um ano de funcionamento, solicitou a Sociedade concessão para instalar um novo centro na capital do estado. Havendo o coronel Ganzo Fernandez, para continuação desse e outros negócios, organizado a firma Ganzo, Durruty & Cia., iniciou, em 1908, as obras do centro telefônico de Porto Alegre, para as quais, no ano anterior, obtivera concessão do governo desse município.
Em maio desse ano, incorporou-se à mesma firma a Companhia Telefônica Rio-Grandense, que em 15 do mês seguinte ficou definitivamente instalada, e tomou a si todos os negócios da seção de telefones pertencentes a Ganzo, Durruty & Cia. O capital da nova companhia, em seu início, era de Rs.1.100:000$000, quantia que, em virtude de resolução da assembléia geral realizada em 15 de abril do corrente ano, foi aumentada para Rs. 1.300:000$000.
Para fazer face às despesas resultantes do acréscimo de suas instalações primitivas, contraiu ela um empréstimo de Rs. 500:000$000, em obrigações ao portador, ao juro de 8%. Tendo posteriormente feito aquisição da Empresa União Telefônica, emitiu um segundo empréstimo de Rs. 800:000$000 nas condições do precedente.
Com a realização dessa compra, está a Companhia Telefônica Rio-Grandense unificando o serviço nas localidades em que existem dois centros telefônicos, de forma que, presentemente, estão funcionando os seguintes, de acordo com diversos privilégios e concessões municipais: Porto Alegre, Pedras Bancas, Barra do Ribeiro, Itapoã, Belém, Tristeza, Canoas, Pelotas, Piratini, Monte Bonito, Cascata, Capão do Leão, Rio Grande, Povo Novo, Quinta, Ilha dos Marinheiros, Ilha do Leopídio, Cassino, São Leopoldo, Retiro, Nova Hamburgo, Santa Cruz, Vila Tereza, Rio Pardinho, Ferraz, São João do Montenegro, São Sebastião do Caí e São Lourenço.
Também de conformidade com as concessões que lhe foram dadas pelo governo do estado do Rio Grande do Sul, fez a companhia construir e estão funcionando as seguintes linhas intermunicipais: Porto Alegre e São Leopoldo, 6 linhas, 33 quilômetros cada uma; Porto Alegre a Canoas, 2 linhas, 14 quilômetros cada uma; São Leopoldo a Caí e Montenegro, 2 linhas, 44 quilômetros cada uma; Pelotas a Rio Grande, 10 linhas, 65 quilômetros cada uma; Pelotas a Piratini, 1 linha, 63 quilômetros; Pelotas a São Lourenço, 5 linhas, 90 quilômetros cada uma; Santa Cruz a Venâncio Aires, 1 linha, 40 quilômetros; Santa Cruz a Poço do Sobrado, 1 linha, 20 quilômetros; Pelotas a Capão do Leão, 4 linhas, 17 quilômetros cada uma.
O centro de Porto Alegre, a subestação de Navegantes, nesta cidade, e os de Pelotas, Rio Grande, São Sebastião e Monte Bonito estão instalados em prédios da companhia, tendo sido o primeiro deles especialmente construído para esse fim e os demais convenientemente adaptados à natureza de tal serviço.
Na central que a companhia possui em Porto Alegre, funciona uma mesa múltipla, Siemens & Halske, de bateria central, com capacidade para 10.000 assinantes. Existe um distribuidor primário, de ferro, também para 10.000 subscritores; 2 baterias de 12 acumuladores cada uma; e diversos dínamos, funcionando junto a motores, para carregar baterias e produção de luz.
Desta central, partem 25 cabos subterrâneos, os quais, por sua vez, na área da cidade em que a população é mais densa e em lugares mais adequados, se subdividem em outros, numa extensão de 42 quilômetros.
Na central de Pelotas, funciona uma mesa Siemens & Halske, a indutor múltiplo, de linhas duplas, para 1.600 subscritores e com capacidade para 3.000 linhas; na do Rio Grande, uma mesa Siemens & Halske, a indutor múltiplo, de linhas duplas, para 1.200 subscritores, com capacidade para 2.000 linhas; nas de São Lourenço, Santa Cruz, Montenegro, São Leopoldo, Ilha dos Marinheiros e Nova Hamburgo, mesas Standart, de 100 linhas duplas; nas do Capão do Leão, Monte Bonito e Povo Novo, mesas Standart, de 50 linhas; nas de Quinta e Cassino, mesas de 30 linhas; nas de Tristeza, Belém e Canoas, mesas de 25 linhas; nas de Vila Tereza e Barra do Ribeiro, comutadores de 20 linhas; nas de Itapoã e Cascata, comutadores de 12 linhas; nas de Rio Pardinho e Ferraz, comutadores de 10 linhas.
A companhia, em sua maior parte, usa os aparelhos J. Berliner, de Hanover; L. M. Ericson & Co., de Estocolmo; Western Electric Co. e Kellog Switchboard & Supply Co., de Chicago.
















Artigo retirado do site 
http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g41d.htm

20 março 2009

Túnel do Tempo - A Serra Começa a Falar (RGS)


Mais uma vez tenho a grata surpresa de receber contribuições ao site da família Ganzo.
Novamente quem nos assiste é o primo João Francisco Ganzo Fernandez Barcellos de Porto Alegre. Aliás, vejo que o povo gaúcho preza por sua história, pois, para meu deleite, volta e meia trás estampado em seus jornais, matérias sobre a Companhia Telefônica Rio Grandense.
Primo, te agradeço de coração por mais esta contribuição.








13 dezembro 2008

Personalidades Rio-Grandenses - Cel. Juan Ganzo Fernandez

Recebi esta tarde da senhora Kátia Madruga Aurélio de Porto Alegre, estas cópias de jornais gaúchos que tratam da personalidade de meu bisavô. Estas cópias fazem parte de um conjunto de documentos que me enviou anteriormente, e que tratam do processo que originou a homenagem a Juan Ganzo Fernandez, dando origem a Avenida Ganzo em Porto Alegre.
Kátia, muito obrigado por seu interesse e ajuda.


Juan Ganzo Fernandez, durante sua longa e ativa vida, dedicou-se com singular constância aos serviços de energia e comunicações, os quais, constituiram a grande paixão de sua existência.
Seu extraordinário espírito de iniciativa, que iria acompanhá-lo até a data de sua morte muito cedo se manifestou, pois já aos dezessete anos instalava para-raios nas fazendas do Uruguai e, ainda com essa idade, inaugura, na cidade uruguaia de San José, o seu primeiro centro telefônico. A seguir, estabelece novas centrais em Canelones, Florida, Santa Lucia, Melo e Serro Largo, ligando-os a Montevidéu. Em 1891 contraiu núpcias com D. Clorinda Garicochea de Herrera.
Em 1892 inaugurou a luz elétrica em San José, fato este que representou um grande marco de progresso na vida daquela cidade. Em 1900, cruza a fronteira a pedido do Dr. Carlos Barbosa Gonçalves e estabelece linhas t6elefônicas em Jaguarão, criando comunicação internacional com a cidade de Artigas, em 1901, funda em Bagé a Companhia Telefônica Bagéense, estendendo suas linhas até a cidade uruguaia de Melo e ao município de Don Pedrito.
Por ocasião da revolução que se deflagrou no Uruguai em 1904, ocupou o posto de Coronel e nesse ano vende suas centrais telefônicas para financiar seu partido na revolução.
A seguir, passa seus serviços às cidades de Rio Grande, Pelotas, Santa Cruz, Cruz Alta e muitas outras cidades do Estado. Importante melhoramento introduz nas comunicações entre Pelotas e Rio Grande, ligando-as por seis linhas diretas, uma vez que há vinte e seis anos a União Telefônica o fazia com apenas uma linha. Em princípio de 1908, fundou em Porto Alegre a Companhia Rio Grandense e em 1909 instala nesta cidade os primeiros serviços telefônicos com o tipo Bateria Central, dotando a cidade de ótima rêde de cabos aéreos e subterrâneos, a última palavra, para a época, na técnica de telefonia, pelo que ficou sendo Porto Alegre a quinta cidade do mundo e a primeira da América do Sul a dispor de semelhantes serviços.
Em 1912, após haver a Companhia Telefônica Rio Grandense adquirido a Companhia União Telefônica de Pelotas, é inaugurada a primeira linha de Longa Distância a explorar também os serviços telegráficos.
Em 1922 um fato memorável foi assinalado na vida da Companhia: inaugurou-se a Central Automática de Porto Alegre, tornando-se esta cidade a primeira do Brasil e a terceira da América do Sul a ter telefones automáticos.
Em 1925 dota a cidade de Rio Grande dos mesmos serviços e torna-se esta a segunda cidade do Brasil e a quarta da América do Sul a possuir mencionados serviços.
Entre os anos de 1912 a 1918, dedicou-se o Cel. Ganzo a um empreendimento de natureza diferente e que iria ter grande repercussão na vida de Porto Alegre daquela época _ tratou-se do Jardim Zoológico Vila Diamela, localizado em uma ampla propriedade, tão estranha ao seu trabalho habitual no setor das comunicações, entregou-se o Cel. Ganzo com o entusiasmo e o otimismo que sempre caracterizaram suas iniciativas e procurou dotar Porto Alegre de um centro de diversões que saudosa e viva lembrança deixou nos corações dos porto-alegrenses daquela segunda década de 1900. Hoje, no local do antigo Jardim Zoológico, cuja área foi loteada, está situado o magnífico e belo bairro residêncial Parque Ganzo.
Em 1927, após transacionar com a Intenational Telephone & Telegraph de New York, a maioria das ações da Companhia Telefônica Rio Grandense, obteve a concessão para explorar os serviços telefônicos no estado de Santa Catarina e funda a Companhia Telefônica Catarinense.
Mas não apenas aos serviços telefônicos dedicou-se o Cel. Ganzo, também os serviços de energia atrairam seu interesse e possuiu no Rio Grande do Sul as Usinas de Cachoeira do Sul, Caxias, Livramento e Bagé, havendo sido o fundador da Companhia de Usinas Elétricas Rio Grandense.
Seu espírito ativo e empreendedor levou-o também a participar de outras iniciativas e foi um dos fundadores da Refinaria Ypiranga de Rio Grandense.
Foi à testa da Companhia Telefônica catarinense, o último de seus empreendimentos, que a morte veio a encontrá-lo no dia 2 de abril de 1957 e até esse dia sua capacidade de iniciativa e trabalho não sofreram diminuição alguma. Faleceu súbita porém tranquilamente, e sua dinâmica existência extinguiu-se em apenas uma hora, sendo a morte tão benigna para ele, quanto bondoso para com seus semelhantes foi o Cel. Ganzo em sua vida.

Dante PIANTA
"Diário de Notícias" de 29/09/1961

29 outubro 2008

Telephone Ganzo - Lembranças



" Mauricio Ganzo, sou João Francisco Ganzo filho de Lótus Ganzo. Te envio uma foto a título de curiosidade que achei no arquivo da Universidade Luterana do Brasil, fotografia do ano de 1908 que esta com selo de  identificação, com estúdio fotográfico e endereço de Porto Alegre, mas o que me chamou a atenção foi o telefone Ganzo.
Obs: A pessoa da foto não sei te dizer quem seria . 
                                              Um abraço e sou um grande admirador do blog da Família Ganzo."

Obs. Creio que, ao fundar sua Companhia Telefônica em 1908, em Porto Alegre, havia algumas outras pequenas Companhias atuando também na mesma cidade. Para diferenciar os telefones a discar, seria necessário saber de qual Companhia era o número, pois havia a necessidade de solicitar a telefonista a ligação entre dois aparelhos da mesma Companhia.

27 outubro 2008

Govêrno Encampa Telefônica Catarinense




Junho de 1968... há 40 anos acabava o sonho, o trabalho árduo de homens empreendedores. Pessoas que deram tudo de si, sacrificaram suas famílias, destruíram suas fortunas para construir um novo futuro para Santa Catarina.
E o quê receberam em troca? O esquecimento... aliás, nem tanto, deram à memória de Juan Ganzo Fernandez, uma rua num bairro distante em Florianópolis, e ao meu avô, Juan Carlos, a indenização pela empresa, que nunca chegara a ser paga! Infelizmente esta é a lembrança que restou aos familiares.
Uma história de 40 anos de bons serviços, termina de forma melancólica. Cabendo ao jornal, apenas transmitir o decreto governamental. 
Por esta razão, criei o blog. Irei lutar por uma honrosa celebração da memória a estes homens pioneiros. Florianópolis há de homenagear seus ilustres filhos, mesmo após suas mortes.

27 setembro 2008

O Pioneiro - Cel. Juan Ganzo Fernandez


Dotado de grande dinamismo e personalidade fascinante, o Coronel Juan Ganzo Fernandez foi o responsável pela instalação de inúmeras centrais telefônicas no Uruguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Devido também ao seu trabalhos foi introduzida a primeira central automática da América Latina, fato ocorrido em 1906, em Porto Alegre. Já a primeira Central Automática de Santa Catarina foi instalada pelo Coronel Ganzo em 1930, período em que as linhas telefônicas passaram a fazer parte da vida catarinense.
O Coronel Juan Ganzo Fernandez é, por muitos motivos, considerado um pioneiro das telecomunicações. Nascido nas ilhas Canárias em 8 de outubro de 1872, transferiu-se, com oito anos de idade, juntamente com sua mãe (que já era viúva) e os irmãos para o Uruguai, onde passou a residir na cidade de Florida. Já nessa época ele mostrava-se uma criança muito imaginosa e com uma engenhosidade fora do comum. Desde que tomou conhecimento do telefone, tornou-se um ardoroso admirador do aparelho com o qual podiam se comunicar a distância.
Aos 17 anos, Juan já havia instalado uma pequena rede telefônica em Florida. E o telefone nunca mais se desligou de sua vida.

Sua firma começou a expandir-se e, alguns anos mais tarde, as linhas telefônicas chegavam até a fronteira, ligando as cidades de Melo, no Uruguai e Jaguarão no Brasil. ¹
Em 1903 ele incorporou-se às tropas revolucionárias que lutavam contra o governo uruguaio. Passou então a comandar um grupo de soldados e foi guindado ao posto de Coronel - "Coronel a dedo", como ele costumava se denominar, segundo se recorda o seu filho, Juan Carlos - patente com a qual continuaria a ser designado pelo resto da vida. Com o fim das escaramuças e com os ânimos ainda não estavam totalmente aplacados, Juan - já casado e com filhos - resolveu residir no Rio Grande do Sul. Retornou às suas atividades e instalou mais de 300 centrais telefônicas naquele estado, incluindo as de Bagé e Pelotas. Anos depois, em Porto Alegre, foi também o responsável pela introdução da primeira central automática da América Latina. Nessa época, com muita razão, ele era considerado um pioneiro.

MULTIPLAS ATIVIDADES

Mas suas atividades no Rio Grande do Sul não se restringiam apenas à telefonia. Foi também sócio de uma empresa de Usinas Elétricas, que se estabeleceu em Caxias, Caxoeira, Santana e Bagé. E como desde criança gostava muito de animais, fundou, em Porto Alegre, um Jardim Zoológico, que deu o nome de Diamela, sua filha. ²
Apesar de já poder-se considerar plenamente realizado, o seu temperamento dinâmico ainda ansiava por novas conquistas. E quando Adolpho Konder, Presidente do Estado de Santa Catarina entre 1926 e 1930, sugeriu que ele se encarregasse de ampliar a rede telefônica no território catarinense, o Coronel logo se entusiamou com a idéia.

Apesar de desestimulado por alguns de seus acessores, o Coronel Ganzo não pensou duas vezes quando o Governo catarinense estabeleceu concorrência pública para a exploração dos serviços telefônicos e fonográficos no estado. Como a condição prioritária para participar da concorrência era idoneidade técnica, a firma Juan Ganzo Fernandez & Cia Ltda. foi a única a se inscrever e foi considerada vencedora. O Coronel Ganzo transferiu-se, entao, para Santa Catarina, a fim de, com 55 anos de idade, começar tudo de novo e tornar-se também um pioneiro em nosso estado.

TEMPOS DIFÍCEIS

Mas as coisas não foram nada fáceis. As vias de comunicação terrestres do estado ainda eram muito precárias e o lombo de cavalo e as botas passaram novamente a fazer parte dos hábitos do Coronel. O prazo de três anos estabelecido pelo contrato escoava-se cada vez com mais pressa. Dificuldades financeiras também surgiram. Para adquirir a aparelhagem com que foram iniciados os serviços telefônicos, o Coronel foi obrigado a desfazer-se de bens que possuía no Uruguai e vender a sua parte na Companhia Ipiranga, a qual ele tinha sido um dos fundadores. Finalmente, após muitos percalços, em 21 de setembro de 1930, foi inaugurada a primeira central automática de Santa Catarina, instalada na capital do estado, assim como diversos circuitos interurbanos para o norte e para o sul. O Coronel Ganzo, após vender a Companhia que possuía no Rio Grande do Sul para a ITT, pertencente a um grupo norte-americano, radicou-se então definitivamente em Florianópolis, de onde só se afastou para viagens esporádicas.

E as linhas telefônicas estenderam-se por todos os rincões estaduais, trabalho que contou também com a participação valiosa de entre outros, nomes como Juan Carlos Ganzo Fernandez, filho do Coronel e seu braço direito, Oscar Botaro, que acompanhava-o desde os seus primeiros tempos no Uruguai e Adão Duque e Odilon Gomes Silva, que por longo tempo dedicaram-se a esse trabalho.

PERSONALIDADE FASCINANTE

O Coronel Juan Ganzo Fernandez é ainda lembrado devido a sua personalidade dinâmiva e fascinante. Grande entusiasta do progresso técnico dos tempos modernos, ele possuía uma incomum admiração pelos homens que, com sua criatividade e inteligência, abriram novos campos de conhecimento e de utilidade para a humanidade. Uma das formas que encontrou para homenagear diversas dessas figuras foi tão singular quanto seu temperamento. Três dos seus filhos foram batizados com nomes facilmente associáveis: Edison, Franklin e Radium. E dois de seus netos receberam também nomes tão (ou até mais) sugestivos: Graham Bell e Nobel.

Mas nem sempre as denominações relacionavam-se a grandes figuras. A uma das filhas, por exemplo, o Coronel Ganzo batizou de Diamela, em reverência a um certo tipo de jasmim que ele muito apreciava.

Como homem de negócios, ele passou por flutuações semelhantes ao seu temperamento. E apesar de ter se envolvido em inúmeras atividades, o telefone é que foi a sua grande paixão. Mesmo assim era capaza de tomar decisões em rompante, que contrariavam a todos que o rodeavam. Como a vez que que decidiu, sob protesto geral, comprar um navio de passageiros. tratava-se de um navio ingles, que fora utilizado na 1ª guerra mundial. Mais tarde, tinha sido adquirido por um dono de cassino. este vendeu-o ao Coronel por 700 pesos, quantia que, na sua opinião, era "uma pechincha". De fato era, mas os prejuízos que vieram depois foram enormes. A idéia inicial era que o navio fosse utilizado no trajeto Porto Alegre-Montevideo. Mas acabou ficando apenas no trecho Colonha a Buenos Aires. Depois de algum tempo o Coronel Ganzo foi obrigado a vendê-lo, mas mesmo assim, com muita relutância.
Juan Ganzo Fernandez, deixando-se fotografar em seu navio - FLECHA



UMA GRANDE FAMÍLIA

Mesmo já com idade avançada, o Coronel Ganzo nunca deixou de trabalhar. Acompanhava tudo o que acontecia na CTC e estava sempre bem informado a respeito das inovações que surgiam no campo telefônico.

-Sob seu comando, a companhia era como uma família - relembra Odilon Gomes Silva, que durante muitos anos trabalhou a seu lado.

E, segundo o seu filho, Juan Carlos, ele era um homem sempre voltado para o futuro. Lembrava-se com sauddade dos seus tempos nas Ilhas Canárias e no Uruguai,mas encontrava também muita afinidade com Florianópolis e com a descontração do seu povo. Não foi por outro motivo que ele se tornou uma pessoa muito popular na cidade.

E foi em Florianópolis que o Coronel Juan Ganzo Fernandez faleceu, no dia 2 de abril de 1957, depois de 85 anos de uma vida de dinamismo e realizações, que hoje é motivo de orgulho para seus inúmeros descendentes, muitos dos quais incorporaram-se definitivamente à vida catarinense.



Obs. 1 Texto mudado, pois há um erro no original. Melo é no Uruguai.
Obs. 2 Texto mudado, o zoológico deixou de funcionar antes de 1930.

Obs. Matéria publicada no encarte especial do Jorna Diário Catarinense, de 1976, referente à inauguração da nova sede da TELESC S.A.

26 setembro 2008

A História do Telefone em Santa Catarina - Conclusão


Inauguração da Fábrica de equipamentos telefônicos ERICSSON
São José dos Campos, 5 de novembro de 1955
Diretor da Ericsson, Juan Ganzo Fernandez, S. Taalberg, Welgten e Clausen


Aqui termino de digitar esta brilhante exposição sobre a telefonia no Estado de Santa Catarina, feita por Claudia Gomes de Albuquerque, em seu trabalho de Conclusão do Curso de História da UFSC em 1986.
Interessante notar que algo tão valioso históricamente, não esteja sendo divulgado. Antes de encontrar este material, penei em localizar quaisquer dados sobre a telefonia em Santa Catarina. Parece mentira, mas um feito de tamanha importância para as comunicações no Estado de Santa Catarina, foi abandonado... esquecido numa prateleira de biblioteca.
Há de se lembrar dignamente do Sr. Juan Ganzo Fernandez... um pioneiro em tantos empreendimentos... Também de seu filho, Juan Carlos Ganzo Fernandez, que foi o grande administrador da telefônica aqui em Santa Catarina... de seus irmãos... Juan Edson Ganzo Fernandez, Ramirez Ganzo Fernandez... e tantos outros colaboradores, entre eles Adám Ganzo Duque, que, com sua coragem e obstinação, abandonaram suas origens, suas famílias, para desbravar um novo desafio, num país ou estado desconhecido. 
Lograram êxito... trabalharam muito para que Florianópolis e todo o Estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul fizessem parte do mundo moderno... mas pagaram um alto preço por suas ousadias. 
Hoje, a família Ganzo é esparssa... estamos divididos entre Uruguai, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná... e não nos conhecemos... 
Este é o preço pago pelos pioneiros da Telefonia, Petróleo, Rádio, etc. Abdicaram dos seus para ajudar a tantos outros. Mas amaram o que fizeram... tenho certeza, não se arrependeram.
O maior presente que estes empreendedores nos deram foi poder "falar", falar com o mundo!
E por isso, hoje, na era da internet, precisamos divulgar suas histórias. Não é justo que, tamanho sacrifício seja esquecido da memória do povo catarinense e gaúcho.




CONCLUSÃO


O desenvolvimento da telefonia em Santa Catarina até o surgimento da Companhia Telefônica Catarinense foi mínimo e precário. Uma das razões disso se deve ao pouco incentivo às iniciativas privadas por parte do Governo, que não tinha claro as vantagens do emprego do telefone nos assuntos administrativos, no comércio, na integração territorial e na indústria; além de que nem todos tinham condições financeiras de usufruir do serviço telefônico, o que fazia do telefone um símbolo de status social daqueles que o possuiam. A mudança de visão do Governo passou a mudar só em 1927, quando trouxe para Santa Catarina o Coronel Ganzo Fernandez, um dos melhores técnicos da época no Brasil.

O pioneirismo do Cel. Ganzo, em estender linhas telefônicas por grande parte do território catarinense, em implantar rêdes em várias localidades e em modernizar o sistema, tudo com seus próprios recursos, efetivou o serviço telefônico em santa Catarina e proporcionou um novo ritmo no desenvolvimento do estado.

Com as dificuldades de aperfeiçoar e ampliar o sistema telefônico numa velocidade compatível ao desenvolvimento do estado, com a revolução de 64 e a Política de Segurança Nacional, a encampação da C.T.C. em 1969 se fazia necessária. Porém, sua importância para o estado, em 42 anos de atividade, foi incontestável.

25 setembro 2008

A História do Telefone em Santa Catarina - Final


Churrascada na Conferência de Torres, reunião entre os Governadores de RGS e SC. Juan Ganzo está a direita, e na esquerda aparecem Juan carlos Ganzo Fernandez (3º) e Adán Ganzo Duque (4º).



Introdução

O Telefone

O Telefone no Brasil

O Telefone em Santa Catarina - Parte 1

O Telefone em Santa Catarina - Parte 2


Continuação...

Um dos lemas da Companhia era "ir de encontro às necessidades de expansão do Comércio do estado em geral, tratando de estender linhas e rêdes, apesar do encarecimento de todos os materiais usados e da alta da mão-de-obra." Esta foi uma das razões que a levou, em Setembro de 1940, fazer acôrdo de tráfego mútuo com a Empresa Sul Brasileira de Eletricidades (EMPRESUL), que possuia, na época, 132,919  quilômetros de linhas e 617 aparelhos instalados, sendo, depois da C.T.C., a maior empresa do estado, para resolver o intercâmbio de ligações intermunicipais e urbanas da cidade de Joinville.

O encarecimento dos materiais, que na sua maioria eram importados, e o alto custo da mão-de-obra, não foram as únicas causas que dificultaram as atividades da Companhia. Por muitas vezes ela tinha trechos de sua rêde apresentando defeitos de comunicação por causa dos contínuos roubos de seus fios de cobre, sendo este metal o motivo da cobiça dos ladrões. Para resolver este caso, passou a usar, então, fios de aço nos trechos assaltados. Outras vezes não era só na rêde que sumiam fios de cobre, no mercado eles também faltavam. Um dos maiores problemas da Companhia, por volta dos anos 50, foram as dificuldades de conseguir licença de importação, prejudicando assim, pela falta dos equipamentos, o bom funcionamento de todo o serviço, mas eventualmente foram contornados. As tarifas telefônicas para os serviços urbanos da Capital foram motivos de um outro problema. Por muito tempo a C.T.C. pediu ao Governo que as revisasse, pois passados 30 anos, desde a assinatura do contrato, em 5 de Dezembro de 1927, as tarifas continuavam as mesmas, isto é, até 60$000 para as grandes casas de negócios e 25$000 para particulares. A resposta para a solução deste caso veio em 5 de Novembro de 1956, quando foi renovado o contrato, entre o Governo e a Companhia Telefônica Catarinense, tendo a redação da Cláusula 21ª alterada, de maneira que ficava:

"facultado à empresa concessionária dos serviços telefônicos desta Capital, a periódicamente pleitear junto ao Governo do estado de Santa Catarina, uma justa revisão das tarifas telefônicas desta Capital, para atender a necessidade de melhoramentos e expansão desses serviços, bem assim, quando ocorrer substâncial encarecimento dos materiais e da mão-de-obra."

Além de ter renovado contrato, a C.T.C. marcou sua presença na década de 50, ligando o estado diretamente com o resto do Brasil e do mundo, através da RADIONAL; e também de ter ligado, por microondas, pela primeira vez, Santa Catarina diretamente com o Rio Grande do Sul, cumprindo assim o acôrdo firmado entre os Governadores desses dois Estados na Conferência de Torres em 1956.

A C.T.C. não chegou a automatizar todo o estado, muito menos, como já vimos, de ligá-lo todo. Depois de Florianópolis ter sido a primeira do estado a receber uma central automática, somente 9 anos mais tarde, em 1939, foi instalada a segunda central em Santa Catarina, na cidade de Blumenau. A automatização ocorreu paulatinamente, sendo que em Dezembro de 1959, apenas existiam as seguintes centrais automáticas instaladas pela Companhia, que ao todo representavam um total de 8.138 aparelhos: Florianópolis, Estreito, Blumenau, Itajaí, Lages, Rio do Sul, Brusque, São Francisco do Sul, Canoinhas, Tubarão, Porto União, Mafra, Rio Negro (PR), Caçador, União da Vitória (PR), Laguna, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Videira, Curitibanos, Ibirama, Indaial, Tangará, Palhoça, Praia de Cabeçudas, Balneário de Camboriú, Biguaçú, Marcílio Dias, Rio Negrinho, Barra do trombudo, Joaçaba, Capinzal.
Mesa Berliner, instalada em Blumenau, 1945


Apesar de todos os esforços em manter e desenvolver o sistema telefônico, a C.T.C. estava com seus dias contados. Com a aceleração do desenvolvimento do estado, principalmente no setor econômico, se fazia necessário que as comunicações telefônicas também se aperfeiçoassem e se ampliassem na mesma intensidade, o que implicava em elevados investimentos, quase impossíveis de serem realizados pela iniciativa privada. A Companhia Telefônica Catarinense passou então a representar um entrave ao desenvolvimento de Santa Catarina, e o Governo do Estado, consciênte da importância da telefonia para a nova realidade catarinense, tomou a decisão de comprar a Companhia.

Em 25 de Janeiro de 1969, em Assembléia Geral Extraordinária, os acionistas da Companhia Telefônica Catarinense aceitaram a proposta do Estado e concordaram em vender seus bens, equipamentos e instalações em serviço.

Em 2 de Abril, o Decreto Federal nº 64.301 (D.O.U. de 07/04/69), autorizou a C.T.C. a vender seu acervo, assim como declarava caducadas as concessões outorgadas a esta Companhia tão logo se efetuasse a transferência dos seus bens ao Estado; dava ainda o prazo de 120 dias para que o Governo estadual estruturasse a empresa estatal substituta, "ao mesmo tempo em que autorizava a executar os serviços telefônicos anteriormente prestados pela C.T.C. enquanto estivesse em processo de organização a empresa estatal." Estas medidas só foram tomadas em 3 de Junho de 1969, quando do cenário catarinense desaparecia a Companhia Telefônica Catarinense, mas não seus feitos, e surgia a Companhia Catarinense de Telecomunicações (COTESC), uma empresa de economia mixta, sob a forma de sociedade anônima, criada através da Lei estadual nº 4.299, de 17 de Abril de 1969 e constituída, definitivamente, em 14 de Julho de 1969, no Governo de Ivo Silveira, que, posteriormente, em Setembro de 1974, no Governo de Colombo Salles, passou a denominar-se: Telecomunicações de Santa Catarina S.A. - TELESC.




A História do Telefone em Santa Catarina - Parte 2


Juan Carlos Ganzo Fernandez (filho do Cel. Ganzo Fernandez), diretor da C.T.C., inspecionando os postes para instalação das linhas telefônicas através do estado de Santa Catarina.


Introdução

O Telefone

O Telefone no Brasil

O Telefone em Santa Catarina - Parte 1





COMPANHIA TELEFÔNICA CATARINENSE (C.T.C.)


No dia 27 de maio de 1927, o jornal "O Estado" publicou uma pequena nota:


"A Empresa telefônica está restabelecendo as suas linhas e examinhando os apparelhos, afim de regularizar todo o serviço. É essa medida acertada, que visa satisfazer todos os assignantes, evitando reclamações."

Com a Capital do Estado sofrendo com as irregularidades do serviço da Empresa Trinks, Ehlke & Cia, bem como, todo o estado que não contava com nenhum serviço telefônico em seus municípios  e entre eles, com excessão de Blumenau e Joinville, era chegada a hora do Governo tomar providências necessárias para fazer Santa Catarina "falar".

A solução para o problema estava no estado vizinho, o Rio Grande do Sul, onde atuava, desde o começo deste século, a Companhia Telefônica Riograndense, de propriedade do Coronel Juan Ganzo Fernandez. "Empresa próspera e sólida", que dotou Porto Alegre da única central automática da América do Sul, se bem que em Rosário de Santa fé, na Argentina, também existia o serviço automático, mas bem menos aperfeiçoado; e que em julho de 1927 tinha, só naquele estado, 214 localidades unidas por telefones e 1780 empregados. Era esta Empresa com que Santa Catarina podia ter a chance de contar, com competência, tecnologia avançada e solidez econômica.

Foi a convite do Governador do Estado de Santa Catarina, Dr. Adolpho Konder, e do então Ministro da Viação, Dr. Victor Konder, que o Cel. Ganzo Fernandez decidiu vir para Santa Catarina, fixando residência em Florianópolis, de onde nunca mais saiu, afim de instalar uma Estação rádio-telegráfica, na Capital, e, principalmente, de implantar um sistema telefônico no estado. Sua chegada ao estado não sabemos ao certo o ano, pois de acordo com as fontes obtivemos duas datas: 1925 e 1927. Em todo caso podemos dizer que o Cel. Ganzo Fernandez chegou a Santa Catarina por volta de 1926.

O primeiro passo dado foi a instalação da Estação rádio-telegráfica, em Florianópolis, da Companhia Telefônica Riograndense, que realizou toda a obra com sua própria aparelhagem, sem auxílio e sem subvenção oficial. A inauguração da Estação se deu em 7 de julho de 1927, na praça XV de Novembro, nº 8, tendo o Cel. Juan Ganzo Fernandez como chefe da Estação e o Dr. Carlos Wendhausen como representante da firma na Capital. À solenidade marcaram presença: Dr. Adolpho Konder, Governador do Estado, acompanhado das suas casas civil e militar; Dr. Henrique Fontes, secretário da Fazenda e Obras Públicas; Dr. Cid Campos, Secretário do Interior; Medeiros Filho, Chefe da Polícia; Dr. Heitor Blum, Superintendente municipal; Coronel Lopes Vieira; Coronel Abdon Arroxllas, Inspetor da Alfândega; Coronel Mário Abreu, Delegado fiscal; Miguel Antomades, Vice-cônsul da Grécia; Dr. Willy Hoffmann, engenheiro da firma Hoepcke & Cia; Dyonísio Sousa, Chefe do serviço de rádio; Pe. Dr. Zartmann, Diretor do Ginásio Catarinense, e outros.

Depois de vencer a concorrência pública para implantar um sistema telefônico no estado, em 5 de Dezemmbro de 1927 o Cel. Ganzo Fernandez firmou contrato com o Governo de Santa Catarina para que sua firma, a Companhia Telefônica Catarinense, que não tinha nenhuma ligação com a Companhia Telefônica Riograndense, explorasse os serviços de comunicação telefônica e fonográfica intermunicipais, bem como o serviço telefônico da Capital do Estado e seu Município, de acordo com a Lei nº 1578, de 21 de Setembro de 1927, por não mais de 35 anos.

Além de explorar os serviços intermunicipais, a Lei também permitia à empresa explorá-los nos outros municípios do estado, desde que:

"Parágrafo Único - Si a exploração fôr feita dentro do mesmo município, cabe aos municípios conceder os respectivos privilégios."

As primeiras cidades a serem ligadas à Capital, pela C.T.C. foram Itajaí, Blumenau, Joinville e Laguna, através de linhas telefônicas, e Lages, atarvés de rádio. A construção  da rêde foi iniciada em 22 de Dezembero de 1927, dirigindo-se para Laguna por São José, Palhoça, Massiambu e Paulo Lopes, e para Itajaí, Brusque , Blumenau e Joinville, passando por Biguaçú, Tijucas, Itapema e Gaspar.

Os serviços telefônicos e fonográficos passaram a funcionar em meados de 1928, logo após estabelecida a primeira linha telefônica, a Florianópolis-Joinville, unindo São José, Biguaçú, Tijucas, Itajaí, Gaspar, Blumenau e as demais localidades intermediárias, e também Palhoça. No ano seguinte, o estado já contava com o funcionamento de 23 estações, ligadas entre si por uma rêde de 800 km, atravessando 14 municípios.

à medida em que as linhas eram instaladas, iam sendo observadas as vantagens oferecidas pelas comunicações telefônicas inter-municipais, despertando com isso, especial interesse dos poderes municipais, e suas respectivas populações, pela realização desses serviços nos municípios que ainda não os possuiam.

Os fonogramas, que já eram conhecidos no Rio Grande do Sul, foram uma das novidades trazidas para Santa Catarina pelo Cel. Ganzo.

Os fonogramas eram telegramas telefônicos. Obedeciam o mesmo sistema dos telegramas comuns, mas com a diferenca de serem mais rápidos, custarem  a metade da taxa de um telegrama e de serem, absolutamente, sigilosos. Eles eram feitos da seguinte maneira: entregava-se, no guichet da Central, o original, pagava-se a taxa e o fonograma era expedido pelos aparelhos telefônicos para a localidade do seu destino. Lá, era entregue ao destinatário, fechado.

Além dos fonogramas, as linhas intermunicipais se destinavam também as "conferências telefônicas". A pessoa que desejasse falar, de Florianópolis, com uma outra pessoa em Joinville, pedia a ligação, de sua casa ou da Central. Previamente era enviado um aviso, por fonograma, à pessoa com quem desejasse falar, marcando a hora para a conferência. A taxa a ser paga era contada por minuto.

"Entre apparelhos de dois (2) assignantes até 20 kilometros de distância por três minutos 1$000
Por minuto seguinte $400
Por mais 10 kilometros ou fracção por três minutos $200
Por minuto excedente $400"

De acordo com o contrato, o serviço na cidade e município de Florianópolis só podia começar quando terminasse o prazo de concessão da empresa telefônica que funcionava alí. Como o contrato da Trinks, Ehlke & Cia foi assinado em 2 de Julho de 1908 e terminaria 20 anos depois, a contar daquela data, é bem provável que a C.T.C. só começou suas atividades pelas proximidades de Julho de 1928. É o que também nos leva a crer a Mensagem do Dr. Adolpho Konder à Assembléia Legislativa em 29 de Julho de 1928, onde ele declara:

"No município da Capital foi construida, e já se acha funcionando, uma linha para a praia do Campeche, que serve ao aeródromo da Companhia de Aviação Latecoère; e já estão sendo preparados os materiais destinados à rêde urbana, que obedecerá ao systema automático."

A implantação do sistema automático de transmissão em Florianópolis só se concretizou em 1930, também fazendo parte das obrigações contratuais. Entretanto, foi dado ao concessionário a faculdade de e3stabelecer outros sistemas mais baratos, como uma medidad de manter os
 serviços funcionando, enquanto o sistema automático não era ativado, e de favorecer a população que não tinha meios de adquirir, tão cedo, um aparelho deste novo sistema que custava 15 vezes mais que um aparelho de sistema manual.

O sistema automático foi outra das novidades introduzidas em Santa Catarina pela C.T.C. Este sistema dispensava, definitivamente, o emprego de funcionários para fazer as ligações. Bastava o ususário, tão somente, girar o disco de algarismos de 1 a 0, junto ao aparelho, combinando-os de maneira a obter o número desejado, para que a ligação fosse feita, em poucos segundos. Para desligar era só tocar no gancho.

O sistema, segundo o Cel. Ganzo Fernandez, era "tão perfeito que quando, porventura, algum defeito na linha se manifesta, uma lâmpada se acende, diante do operador. A côr da luz que apparece varia conforme a natureza do defeito. Assim, pois, si se trata de um curto circuito, a luz será vermelha, por ex; si um fio desligado, azul, etc. No local em que o defeito se encontra
 existirá uma pequena faísca da mesma côr da lâmpada que deu o sinal".

Em 21 de Setembro de 1930, às 14 horas, na Praça XV de Novembro, nº 8, cumpriu-se o contrato da Companhia Telefônica Catarinense com a inauguração da Central Automática de Florianópolis. Esta cidade passava a ser, então, a 20ª do mundo que possuia este serviço, e a 5ª do Brasil que o inaugurava.

Nesta mesma ocasião inaugurou-se também a rêde telefônica subterrânea da Capital e as linhas interurbanas, ligando Florianópolis a: par o Norte - Biguaçú, Tijucas, Camboriú, Itajaí, Brusque, Gaspar, Blumenau, Itoupava Seca, Indaial, Timbó, Jaraguá do Sul, Hansa, Joinville, Parati e São Francisco -, para o Sul - Estreito, São José, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Paulo Lopes, Laguna e Tubarão.

À inauguração estiveram presentes: Dr. Antônio Vicente Bulcão Vianna, Presidente do Estado; Dr. Fulvio Aducci, Presidente eleito de Santa Catarina; Dr. Adolpho Konder, Senador; Dr. Heitor Blum, Prefeito da Capital, entre outros.

Pouco à pouco, a C.T.C., com seus próprios recursos, ia estendendo sua rêde, sempre por linhas físicas, por quase todo território catarinense, como podemos notar no quadro abaixo e no quadro do anexo 6. Não podemos deixar de chamar a atenção para duas cidades paranaenses - Rio Negro e União da Vitória - que fazem parte deste último quadro. Infelizmente, nada podemos dizer a respeito de suas presenças na rêde intermunicipal de Santa Catarina e, consequentemente, da saída da Companhia do território catarinense.





Continua...

24 setembro 2008

A História do Telefone em Santa Catarina - Parte 1


Juan Ganzo Fernandez, sem chapéu, em primeiro plano, durante as instalações de linhas telefônicas para o interior do Estado de Santa Catarina. Anos 30.


Introdução

O Telefone

O Telefone no Brasil




O TELEFONE EM SANTA CATARINA


OS PRIMEIROS PASSOS


O telefone não tardou em aparecer em Santa Catarina.

Um ano após a instalação dos primeiros aparelhos no Brasil, Desterro (antigo nome de Florianópolis) teve o privilégio de presenciar a primeira experiência feita com o telefone em Santa Catarina. Privilégio este que se não fossem duas pequenas notícias em dois jornais locais, dos três que existiam, "O Despertador" e "O Conservador", o fato passaria despercebido.

Na noite do dia 26 de julho de 1878, durante o Governo do Dr. Lourenço Cavalcanti de Albuquerque, o Sr. Cavalcanti, chefe da estação telegráfica da Capital da província, convidou a população para assistir a experiência, que foi feita ligando a estação telegráfica, no Largo do palácio, à estação do Estreito, o que equivalia, mais ou menos, a dois mil metros.

Várias pessoas tiveram a oportunidade de falar ao aparelho e todos que ali estavam presentes puderam ouvir as perguntas e as respostas transmitidas de forma clara e distinta, "como se estivessem conversando n'uma distância de 20 a 30 metros".

Segundo os jornais, o Sr. Cavalcanti tencionava fazer uma nova experiência entre a estação do Estreito e a de Laguna, por ser a distância maior, porém, não conseguimos comprovar se o teste foi feito.

Após este primeiro contato da população com o telefone, o desenvolvimento da telefonia em santa Catarina seguiu a passos lentos e de forma precária.

A primeira concessão, para instalar linhas telefônicas no Desterro, foi dada a Arthur Teixeira de Macedo através do Decreto Imperial nº 8.458, de 18 de Março de 1882, de conformidade com as bases aprovadas pelo Decreto nº 8.453 A, que estabelecia as cláusulas do contrato. segundo este Decreto, a concessão era de 15 anos, durante os quais não poderia ser autorizada empresa idêntica a se estabelecer dentro da mesma circunscrição. Examinando os jornais da época, apesar da maioria não ter edições periódicas, não existe neles qualquer menção a respeito, seja da concessão, seja de alguma tentativa de assentamento de linhas telefônicas; o que nos leva a crer que a concessão tenha caducado, no máximo, depois de um ano da publicação do Decreto de
concessão, segundo a cláusula 16ª, que dizia:

"Caducará a concessão:

1º Si o assentamento das linhas não estiver começado dentro do prazo de seis mezes, contados da publicação do respectivo decreto.
2º Si dentro de um anno contado da mesma data não se tiver concluido o assentamento das linhas".

Corroborando o caduamento da concessão está o fato de que só a 24 de Março de 1884 foram instaladas as primeiras linhas telefônicas em Santa Catarina, na Capital, ligando vários orgãos provinciais. Os aparelhos do sistema Adler, os mais aperfeiçoados da época, foram instalados no palácio da presidência, na tesouraria geral e provincial e na secretaria da polícia, sendo que o palácio da presid~encia servia como estação central das linhas, equipado com um comtador, mediante o qual as estações podiam falar entre si alternadas ou simultâneamente.

Os telefones encomendados pelo então Presidente da província, Dr. Francisco Luiz da Gama Rosa, tiveram problemnas nas suas instalações, pois não vieram acompanhados das instruções orientadoras do fabricante, além de que não existia na cidade nenhum conhecedor de telefonia. Por fim, depois de estudos e tentativas chegou-se a um resultado favorável graças a dois empregados do telégrafo do Estado, os Srs. Wernek e Lima.

Segundo "O Despertador" não era preciso
"fallar alto para que se ouça nitidamente as palavras, podendo, distinguir-se perfeitamente as pessoas que fallam, pelo timbre da voz peculiar a cada uma.
Todos os ruidos produzidos nas proximidades do apparelho, como risos, sons musicaes, etc, são transmittidos fielmente pelo instrumento".

O fato da insatlação dos telefones tomou uma certa notoriedade quando o jornal "Correio da Tarde", usando o telefone como pretexto para criticar a administração governamental, começou uma peleja com o jornal "O Despertador" que elogiava o procedimento do Dr. Gama Rosa. enquanto o "Correio da Tarde" dizia:

"ainda mesmo que a província estivesse nas melhores condições possíveis, um administrador sensato e que compenetrasse do alto cargo de que se acha revestido, não mandaria assentar linhas telephonicas nas repartições públicas, por ser uma cousa completamente inútil, de mero luxo aqui".

"Mas o que s. ex. queria com os telephones era uma distração para si e os seus meninos; alcançou o que ardentemente desejava; está satisfeitíssimo. Que digam as repartições públicas constantemente interrompidas em seu expediente, com detrimento do serviço público, o quanto s. ex. tem pagodeado!
Eis a grande vantagem que nos trouxe o telephone e pela qual o povo catharinense deve exultar de contentamento."

O "O Despertador" rebatia:

"O seu funccionamento nos estabelecimentos públicos não pode pertubar em cousa alguma os respectivos trabalhos, tornando-os, pelo contrário, mais accelerados e promptos pela facilidade em se obterem informações immediatas. Admira que se possa pensar diversamente.
E tanto é reconhecida a utilidade desse novo e admirável apparelho, que elle está sendo geralmente adoptado em todo o mundo, servindo grandemente às relações sociaes de todo gênero."

Diante de pontos-de-vista tão antagônicos, somente o tempo poderia ou não dar razão ao procedimento do Dr. Gama Rosa e as opiniões daqueles, que como "O Despertador", acreditavam, no valor do telefone.

E assim aconteceu quando em 6 de Outubro de 1887, através da Lei nº 275, o Estado de Santa Catarina concedeu privilégio por 25 anos a Alexandre Grandemagne e Gervásio Bortoluzzi para estabelecerem uma linha telefônica entre Tubarão e Araranguá - a primeira linha interurbana que temos conhecimento; quando, em 1903, a Câmara Municipal de Florianópolis concedeu a Valentim Uriz Erdosaim, direito de uso e gozo de uma rede telefônica no minicípio - não sabemos se a rêde foi instalada; quando, em dezembro de 1905, todas as providências estavam sendo tomadas para estabelecer uma estação telefônica, a primeira, em Painel, distrito de Lages, e, finalmente, quando, em 1907, o serviço público da Capital reclamava a instalação de aparelhos telefônicos nas repartições para dar maior rapidez as providências por elas tomadas,
confirmando assim, 23 anos depois, as opiniões do "O Despertador".

Da concessão municipal a Valentin Uriz Erdosaim, em 1903, pouco sabemos, mas provavelmente, deve ter caducado, cremos, 6 meses após assinado o contrato, se nos basearmos no contrato de concessão de 2 de Julho de 1908, firmado entre a Câmara Municipal de Florianópolis e o concessionário Carlos A. Reis para instalação, exploração e monopólio de uma rêde telefônica, nesta cidade, por 20 anos.

Por motivos desconhecidos, Carlos A. Reis transferiu a concessão em 17 de Agosto de 1908 à firma Grossembacher & Trinks, de Joinville. A mesma firma, que através da Lei nº 804, de 8 de Setembro de 1908, recebeu, também, do Governador do Estado Gustavo Richard privilégio por 20 anos para instalar uma rêde telefônica que, partindo do município de Joinville, ligasse os municípios de São Francisco do Sul, Parati (atual Araquari), Campo Alegre e São Bento.

Representada por Paulo Trinks em Florianópolis, a empresa em 4 dias, após a transferência, já se manifestava através de jornal, oferecendo seus serviços ao público, seja a particulares, associações, casas comerciais ou estabelecimentos públicos. Em Janeiro de 1909, Florianópolis já constava com 122 telefones instalados, número que pouco se alterou até 1915, quando apareceu a primeira lista telefônica do município, talvez a primeira do estado, aumentando para 257 assinaturas, quando Florianópolis constava com, aproximadamente 40.000 habitantes.

Grossembacher e Trinks foram dois nomes que ficaram ligados à telefônia do estado até 1932. Em Florianópolis, a sociedade Grossembacher & Trinks desapareceu antes de 1915, surgindo a sociedade Paulo Trinks e Ehlke, que a partir de 1º de Janeiro de 1922 passou a ser Trinks, Ehlke & Cia, quando a Paulo Trinks e Paulo Ehlke juntou-se Henrique Stamm, e que se dissolveu em 12 de Julho de 1928.

Sobre a firma Grossembacher & Trinks em Joinville, os documentos que a Junta Comercial do Estado dispõe, e que datam desde 1926, nos levam a crer que a firma continuou até 1932, formada por Gustavo Grossembacher e Adolfo Trinks, quando se dissolveu.

Nossas imprecisões a respeito das sociedades comerciais se originam da falta de documentos na Junta Comercial do Estado, que em 18 de Fevereiro de 1919 foi destruida num grande incêndio, resultando daí o desaparecimento de todos os registros de firmas comerciais deste Estado.

Uma análise dos dados disponíveis sobre a empresa Grossembacher & Trinks nos levam a presumir que Paulo e Adolfo Trinks formavam com Gustavo Grossembacher a sociedade. Pouco antes de 1915, Paulo trinks saiu da firma, recebendo, por acôrdo, a concessão municipal de Florianópolis, pertencente a Grossembacher & Trinks, como pagamento de seu capital na empresa. Paulo Trinks fêz então sociedade com Paulo Ehlke, e que mais tarde se transformou em Trinks, Ehlke & Cia. Enquanto isso, em Joinville, Gustavo Grossembacher e Adolfo Trinks continuavam com a sociedade, até 1932, de posse, agora também, de uma concessão municipal, de 13 de Abril de 1917, desta mesma cidade.

Uma idéia do que era a telefonia, em 1913, em Santa Catarina podemos ter no quadro abaixo, que não se modificaria muito nos próximos 14 anos, até a data da implantação da Companhia Telefônica Catarinense, pelo Coronel Juan Ganzo Fernandez, em 1927. E que só
Joinville, Blumenau e Florianópolis "constavam com serviço telefônico no estado, que era prestado por centrais locais, funcionando manualmente".


A implantação de um sistema telefônico intermunicipal no estado se fazia necessário a medida que a população se expandia e em face do aumento da economia. Tornava-se assim fundamenental as trocas de informações entre os catarinenses para que houvesse maior integração social, mais rapidez nas transações comerciais e maior agilidade nos serviços da administração pública.

Tentativas foram feitas como a de 1914, a primeira, que através da Lei nº 1001, de 10 de Outubro, o Governador do Estado de Santa Catarina, Coronel Felipe Schmidt concedia privilégio a José O'Donnel, ou empresa que organisasse, para estabelecer linhas telefônicas entre todos os municípios do estado por 20 anos, e a de 1924, em que o governador Dr. Hercílio Pedro da Luz concedia, em 8 de Maio, à Companhia Tracção, Luz e Força de Florianópolis privilégio exclusivo para instalar e explorar os serviços de telefones urbanos e suburbanos em todo o estado catarinense, mediante a condição de ligar os municípios à rêde geral. Porém, esta Companhia desistiu do privilégio em 17 de Janeiro de 1927.

Mas foi neste mesmo ano de 1927, com a instalação da Companhia Telefônica Catarinense, que se pôs fim a deficiência de comunicação nos municípios e entre eles.



A História do Telefone em Santa Catarina - O Telefone no Brasil


O TELEFONE NO BRASIL


Logo após a chegada de D. Pedro II ao Brasil, em 1877, foi inaugurado o serviço telefônico com a instalação das primeiras linhas, interligando o Palácio da Quinta da Boa Vista (atual Museu Nacional) com as residências dos Ministros de Estado, utilizando telefones montados no Rio de Janeiro pela "Western and Brazilian Telegraph" - Cabo Submarino.

Despertando o interesse do comércio e da indústria, antes que findasse 1877, a casa comercial "Ao Rei dos Mágicos", na rua do Ouvidor nº 116, da firma Rodde & Chaves, começou a fabricar telefones seguindo as descrições da gazeta francesa "Lumière Electrique", e estabeleceu uma linha telefônica pública dêste estabelecimento ao Corpo de Bombeiros.

A primeira concessão para construir e explorar linhas telefônicas no Brasil foi dada, em 15 de Novembro de 1879. através do Decreto nº 7539, a Charles Mackie, que a teve caducada. Mas, tendo formado, em 13 de Outubro de 1880, em Nova York, uma sociedade por ações denominada "Telephone Company of Brazil", Charles Paul Mackie requereu nova concessão, que foi obtida em 17 de Abril de 1881 pelo Decreto nº 8065, para prestar serviço telefônico na Corte. Em seguida a esta concessão, o Imperador baixou a Circular de 11 de Agosto de 1881, dando ao Governo o direito de conceder a instalação de linhas telefônicas, mesmo que para uso particular das localidades, uma vez que estas se achavam em iguais condições às linhas telegráficas, que pertenciam ao domínio exclusivo do Estado.

Novas concessões se seguiram, e tendo surgido os primeiros problemas relacionados com a instalação e exploração das linhas, o Imperador baixou o Decreto nº 8453 A, de 11 de Março de 1882, estabelecendo as bases para a concessão de linhas telefônicas.

Com a proclamação da República e com as Constituições que se seguiram, o poder para a exploração dos serviços ficou dividido entre o poder municipal, quando o serviço telefônico se restringia ao município, o poder estadual, quando o serviço fosse entre municípios do estado, e o poder federal, quando o serviço fosse interestadual e internacional.

Procurando institucionalizar as telecomunicações, o Governo Federal, em 1962, resolveu criar o Código Brasileiro de Telecomunicações, através da Lei nº 4117, de 27 de Agosto de 1962.

O Código Brasileiro de Telecomunicações fixou uma política e criou um orgão para executá-la, o Conselho Nacional de Telecomunicações - CONTEL, que através de sua Secretaria Executiva, o Departamento Nacional de Telecomunicações - DENTEL, elaborou o Plano Nacional de Telecomunicações, fixando as normas nacionais, que promovem o desenvolvimento, fiscalizam as concessões e propõem as tarifas a serem pagas pela execução dos serviços, na área da Telecomunicações.

Os serviços telefônicos, porém, não acompanhavam o ritmo de desenvolvimento do país. Com o crescimento das cidades e da população, "exigia-se maior número de comunicações e as centrais telefônicas passaram a operar com carga de tráfego superior ao seu dimensionamento."

Em Setembro de 1965 foi criada a Empresa Brasileira de Telecomunicações - EMBRATEL - com o objetivo de instalar e explorar os grandes troncos de microondas integrantes do Sistema Nacional de Telecomunicações, e as suas conexões com o exterior. Para executar os programas da EMBRATEL, foi criado, então, o Fundo Nacional de Telecomunicações.

Um ano depois, o Governo estatizou a Companhia Telefônica Brasileira (C.T.B.) e suas associadas,a  Companhia Telefônica de Minas Gerais (C.T.M.G.) e a Companhia Telefônica do Espírito Santo (C.T.E.S.), pertencentes à Brazilian Traction, de capital canadense, que funcionva no Brasil desde 1912.

Em 13 de Fevereiro de 1967, o Governo Federal, através do Decreto-Lei nº 162, transferiu para a União o poder de explorar os serviços telefônicos dos municípios.

E neste mesmo ano extinguiu-se o Ministério da Viação e Obras Públicas e foi criado, em seu lugar, o Ministério dos Transportes e o das Comunicações, que ficou constituido pelo CONTEL, DENTEL, ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) e EMBRATEL.



11 maio 2007

A História do Telefone - Jornal "A Noite" 15-04-1947

A História do Telefone


Não vamos falar de Alexandre Graan Bell. Embora mereça a nossa reverência, é figura que está muito para trás. Não estamos aqui como Prometeu, em cima do rochedo, olhando para o fantasma do passado... Vamos falar do Sr. João Ganzo Fernandez, uma das figuras empreendedoras e que tanto tem contribuído para o progresso do Brasil. Desses homens que se pode apontá-lo e dizer: "é desses que constroem o mundo". Foi o Sr. João Ganzo Fernandez que, em 1908, fundou no Estado do Rio Grande do Sul a Companhia Telefônica. A êle também coube, em 1920, o privilégio de montar na capital gaúcha a primeira estação telefônica automática, que seria, como afirmam vozes autorizadas, a primeira etapa do telefone automático no Brasil e na América do Sul. Já em 1927, o Sr. João Ganzo Fernandez, que ama o trabalho, que se enternece ante qualquer realização, lança as diretrizes da Companhia Telefônica Catarinense, que tantos benefícios presta ao Estado. Hoje, em quase todo território de Santa Catarina, em 29 localidades, os fios da Telefônica Catarinense cruzam os seus postes estão fincados como mastros de bandeiras do progresso.



Autor desconhecido.

02 setembro 2006

Recortes de Jornal - Nos Tempos da CTC


Texto retirado de suplemento especial de jornal de circulação em Santa Catarina por ocasião da inauguração da nova sede da TELESC (Telecomunicações de Santa Catarina) em 1976. Conta a história da Cia. Telefônica Catarinense, de propriedade de Juan Ganzo Fernandez, encampada no governo do Sr. Ivo Silveira no ano de 1968.

Recortes de Jornal - Juan Carlos Ganzo Fernandez


Entrevista concedida a Raul Caldas Filho por Juan Carlos Ganzo Fernandez. Texto retirado de suplemento especial de jornal de circulação em Santa Catarina por ocasião da inauguração da nova sede da TELESC (Telecomunicações de Santa Catarina) em 1976.