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08 março 2010

As Contraditórias Ilhas Canárias

Serenas e violentas, luxuriantes e áridas, hostis e no entanto hospitaleiras, as imprevisíveis "Ilhas Afortunadas" espanholas são um mundo de esplêndidas surpresas




A Igreja de Femés, na Ilha de Lanzarote

As Contraditórias Ilhas Canárias

Tome pedacinhos do Havaí e do Oeste do Texas, junte o Monte Branco e os luxuriantes terraços de Maiorca, misture, e assim obterá essa estranha salada de surpresas e belezas chamada Ilhas Canárias. Começando num ponto do Oceano Atlântico a cerca de 100 quilômetros do Saara Africano, elas se estendem para o ocidente em um arco suave de 480 quilômetros, aproximadamente na latitude do Cairo, no Egito.
"Pombas pousadas no oceano", chamou-as um poeta espanhol. Falcões seriam uma palavra mais apropriada, pois podem ser violentas e implacáveis. Suas montanhas dentadas, indo de 685 a mais de 3.600 metros de altitude, têm um árido aspecto lunar. Várias só recentemente cessaram sua atividade eruptiva, e muitas praias nas Canárias são pretas de lava. Entretanto, apesar desses cenários áridos, as ilhas podem surpreender-nos com sua beleza serena. A maioria é animada por pássaros gorjeando em cada arbusto e cada árvore. Em todas, mas principalmente em duas delas—Lanzarote e Fuerteventura—somos subjugados por uma explosão de fragrância e colorido—suas flores. Nas ilhas há muito poucos insetos incômodos, não há serpentes, nem animais perigosos.
As Canárias, de fato, são um mundo de 7.500 km² de suaves contradições, onde tudo, com exceção do tempo, é deliciosamente confuso. Lembremo-nos de que elas foram e ainda são chamadas as Ilhas Afortunadas, mas são em número de 13; os lavradores locais cavam poços mais horizontais do que verticais, e são camelos e não mulas ou bois que puxam seus arados; os canários são originários de lá e ainda cantam nas árvores—mas as ilhas não têm seu nome por causa dos pássaros, mas por causa dos cães (do latim, canes) que os primeiros exploradores encontraram lá.



                  Ladainha Romântica. Os naturais das Canárias—mais de um milhão em número—só falam de duas estações: primavera quente e primavera fresca. Há pouca chuva. Os ventos alísios refrescam as ilhas no verão, o Gulf Stream aquece-as no inverno. Pode-se nadar nos 365 dias do ano. O ar, diz um antigo provérbio espanhol, é tão suave que impede a gente de morrer—um pensamento poético que recebeu apoio prático recentemente quando um cirurgião de Londres insistiu com seus colegas médicos para que mandassem seus pacientes de bronquite para as Canárias. Médicos suecos fazem precisamente isso há muito tempo e com excelentes resultados, informa ele.
As Canárias não foram "descobertas" recentemente, longe disso—há séculos que começaram a ser visitadas. Os romanos conheciam-nas, e o grande geógrafo Ptolomeu traçou uma linha através da ilha mais ocidental (hoje chamada Hierro), designando-a como o fim do mundo. Antes dos romanos foram os fenícios e os cartagineses; depois deles, quase todos os povos navegantes e piratas do mundo. Muitos dos habitantes que os visitantes aí encontraram eram uma gente alta, bem constituída, a que chamavam os guanches, que se estabeleceram nas ilhas séculos antes de Cristo. Mantendo-se na Idade da Pedra, os guanches viviam em cavernas, alimentavam-se de grão torrado, lagartos e mariscos, e mumificavam os seus mortos. A coragem foi a sua ruína: quando os espanhóis e outros invadiram as Canárias, os defensores lutaram com tão obstinada bravura que foram quase aniquilados. Os atuais ilhéus das Canárias são morenos e de estatura média.
Das 13 ilhas, algumas das quais não são mais do que simples rochedos, sete podem ser consideradas grandes. Seus nomes formam uma romântica e melodiosa ladainha: Tenerife, Grande Canária, La Palma, Gomera, Lanzarote, Hierro e Fuerteventura. Cada uma é um mundo em si, com sua própria fauna, sua flora, seu folclore e seu dialeto, acrescentados a um denominador comum: o ardor e independência espanhóis.


Para os festejos de Corpus Christi a população da Grande Canária desenha esplêndidos arranjos florais ao longo do trajeto da procissão religiosa.


                     Caminho Florido. As ilhas mais europeias são as mais populosas, Te-nerife e Grande Canária, as quais possuem todos os requisitos convencionais de uma estância de turismo, l>ons hotéis, lojas de souvenirs, piscinas e boates. Mas essa sofisticação é apenas superficial. A oitoquilôme-iios da costa encontram-se lugarejos c campos primitivos e intatos.
A maior cidade de Tenerife é Santa Cruz de Tenerife, capital de uma das duas províncias das Canárias. Foi daí que o Generalíssimo Franco, então Governador-Geral das Ilhas, saiu para liderar a sua revolução na Espanha. Foi aí, também, que Nelson perdeu um braço, arrancado por um tiro, e sofreu a sua única derrota. Mas a grande atração de Tenerife reside em sua exótica beleza natural, inclusive uma árvore considerada uma das mais antigas do mundo, a árvore-do-dragão. Escritores antigos e modernos têm celebrado essa árvore porque dela gotejava uma seiva que tem a cor e a consistência do sangue. O ponto culminante da ilha é o Monte Teide, co-linio de neve, com 3.706 metros de altitude, o pico mais alto sob a bandeira espanhola. Eleva-se de uma planície salpicada de pedras vulcânicas semelhantes a monumentos druídicos. Entre as altitudes de 1.800 e 2.400 metros os declives são animados pelos cantos das aves e revestidos de cores das flores típicas dessa montanha. A retama, uma flor alvirrosada, é especialmente interessante por seu perfume inebriante. Se a pessoa dormir com ela no quarto, com as janelas fechadas, pode acordar com vertigens ou coisa pior. Eu acordei com dor de cabeça, cambaleante, e não pude tomar o café da manhã, e a minha experiência, segundo me disseram, foi relativamente suave. Entretanto, as abelhas adoram-na. Na estação própria, centenas de caminhões cheios de colmeias sobem do vale, e, durante meses, milhões de abelhas exploram as flores e produzem um excelente mel.
Em maio, há enorme profusão de flores na ilha—prelúdio da mais bela procissão de Corpus Christi no mundo. A cerimônia realiza-se na antiga cidade de La Orotava, sob veneráveis balcões de teca esculpidos à mão. O principal acontecimento é um incrível tapete de flores, com 15 centímetros de profundidade, seis metros de largura e mais de um quilômetro de comprimento—caminho florido para os portadores do Santíssimo.
Na madrugada do dia santo, as flores—rosas, gerânios, lírios, mal-me-queres e aves-do-paraíso—começam a chegar de caminhão, carroças de mula e camelos dos campos e aldeias das montanhas. Na luz ainda vaga as flores são selecionadas e despetaladas por mulheres e crianças que então jogam as perfumadas plumas nos espaços indicados por moldes de madeira colocados lado a lado nas ruas que partem da catedral. Quando os moldes são retirados, o efeito é surpreendentemente igual ao de um tapete. O fato é que, quando vi aquilo pela primeira vez, perguntei a um homem que estava a meu lado onde fora tecido um tapete de tal comprimento. Ele riu e fez um gesto indicando o céu: "Lá em cima ... lá está o tecelão."
Então as portas da igreja se abriram e a procissão começou. Quando acabou, o esplendor de pétalas tinha sido reduzido a um campo salpicado de cores como um pintor abstrato poderia ter imaginado. Então foi a vez das crianças. Meninos e meninas correram a rolar sobre as flores pisadas, jogando-as uns contra os outros.

A Igreja de Pájara. Don Miguel de Unamuno descreveu esta igreja como tendo uma fachada inspirada por desenho helênico e asteca.


Linguagem de Assobio. A Grande Canária é outra ilha inundada de flores. Sua principal cidade, Las Palmas, é maior do que Santa Cruz de Tenerife e muito mais importante comercialmente. Com o fechamento do Canal de Suez, ela tornou-se hoje um dos mais importantes pontos de reabastecimento do mundo É também um grande centro comercial de pesca. Mas a mais famosa atração da Grande Canária é uma bela imagem da Virgem esculpida em madeira. Há mais de quatro séculos que esta Virgen del Pino recebe dos ilhéus devotos uma série de extraordinários mantos tecidos em ouro e prata com incrustações de pedras preciosas. Colecionadores desejosos de adquirir alguns desses mantos têm sido sempre repelidos.
La Palma é a ilha verdejante, a mais fértil de todas as Canárias, e a que tem o clima mais ameno. Ali, se a pessoa tiver sorte—como eu tive — assistirá ao estranho esporte da pértiga, no qual os homens, usando uma longa vara, descem as montanhas saltando de terraço em terraço. Não é jogo para principiantes. Todos os anos, disseram-me, alguns rapazes morrem ou ficam aleijados em suas tentativas para dominar a técnica.
Das sete ilhas principais a minha favorita é Gomera, um pedaço de terra de cerca de 24 quilômetros de lado a lado na parte mais larga, com uma população de 25.000 habitantes. Vai-se de barco até lá. Lembro-me da minha primeira chegada à ilha, tarde da noite. Perguntei ao comissário se poderia conseguir um quarto no hotel.
—Vou verificar—disse ele.
Colocou um dedo na boca e assobiou. O som que produziu parecia o canto de um pássaro. Imediatamente um gorjeio lhe respondeu vindo por sobre a água—o começo de um estranho diálogo pipilante na escuridão. Finalmente, o comissário disse-me:
—Já consegui. Vá ao café ... só há um. O garçom está à sua espera e o levará ao hotel.
Foi assim que tomei conhecimento do silbo, a linguagem de assobios que provavelmente só se usa em Gomera. O silbo é uma versão do espanhol em que se pode comunicar qualquer coisa a distâncias de oito quilômetros ou mais—uma solução engenhosa para um problema do terreno acidentado da topografia local. Gomera é uma ilha rochosa cortada por profundas gargantas, e muitas vezes leva-se uma hora ou mais subindo e descendo obstáculos para ir chamar um vizinho a 500 metros de distância. O silbo é tão rápido como um telefone e bem mais barato.
O silbador coloca um ou dois dedos ou uma falange na boca, encosta a ponta da língua nos dentes e começa a assobiar, pronunciando as palavras como numa conversa comum. O som tem apenas uma vaga semelhança com a palavra falada—mas é alto e compreensível. Seria difícil transmitir outro idioma pelo sistema do silbo, mas o espanhol presta-se admiravelmente a isso porque tem apenas poucos sons vogais e uma variedade não muito grande de consoantes. Resultado: os gomerianos assobiam piadas através dos vales, e os pastores contam histórias através de quilômetros de distância.
O único fato histórico de que Gomera se vangloria é o de que Colombo ficou na capital de San Sebastián por um mês antes de partir da Espanha para a sua grande viagem da descoberta em 1492. Por que fez isso ninguém sabe; mas a parada, que o levou para mais de mil quilómetros ao sul do seu ponto de embarque original, tornou o seu desembarque nas Caraíbas inevitável. Tivesse ele velejado diretamente de onde estava previsto, teria desembarcado onde é agora o sul dos Estados Unidos, e a história do mundo poderia ter sido diferente.
Estranho Fascínio. De todas as ilhas, Lanzarote, com sua desolada paisagem lunar, é a mais curiosa._Suas praias são geralmente negras. E um lugar silencioso no mar, onde não cantam aves e poucas flores vicejam. Apesar de tudo, tem um estranho fascínio.
Como as outras Canárias, Lanzarote surgiu do mar em resultado de uma série de erupções vulcânicas. A última ocorreu há mais de 200 anos,  mas a terra continua tão quente que há lugares em que se pode fritar um bife alguns centímetros abaixo da superfície. Com pouca chuva, a ilha tem pouca água; camelos substituem os cavalos e as mulas pelo fato de poderem resistir longos períodos sem beber. Além disso, o lavrador de Lanzarote cobre sua terra com lava preta até a uma profundidade de 15 a 30 centímetros para preservar a pouca chuva que cai. O trabalho desenvolvido é prodigioso, mas a recompensa é uma extraordinária colheita de tomates e frutos, especialmente uvas, usadas para fazer vinho. Produz o Canário e a Malvasia, que os elisabetanos bebiam como Malmsey, e foi num barril desse vinho, segundo Shakespeare, que o futuro Ricardo III afogou o irmão.
Outra peculiaridade da agricultura: as figueiras crescem em buracos de um metro ou mais de profundidade e, como proteção contra os ventos, são circundadas por muros como de poços. Assim, a gente se abaixa para colher os frutos—outra confusão.
Mas o verdadeiro atrativo de Lan-zarote não consiste no modo estranho que tem de cultivar as coisas, i nas no seu povo, que é dos mais hospitaleiros do mundo. Quando nos despedíamos, o nosso motorista não só se recusou a aceitar gorjeta, mas ainda presenteou minha mulher com um pequeno ramo de flores. Numa ilha em que as flores são dificílimas de conseguir, aquilo era a suprema cortesia.
Não admira que as Canárias hoje atraiam cerca de 200.000 visitantes anualmente; cerca de 6.500 estrangeiros ficaram como residentes permanentes. Mas duvido que mesmo essa "redescoberta" mude as qualidades especiais das Ilhas Afortunadas. Muitas das ilhas menores estão virtualmente intatas e até mesmo Tenerife e a Grande Canária—as mais frequentadas—têm longas extensões de litoral e um belo interior que muitos forasteiros nunca viram. Se você gosta de surpresas, é tempo de ir lá.

George Kent - Revista Seleções do Reader's Digest, Setembro de 1969

31 março 2008

As Causas da Imigração - A Vinda da Família Ganzo para o Uruguay



Juan Ganzo Fernandez, provavelmente pelos anos 1890-1900



As Causas de Uma Imigração.


No povoado de Yaiza, na ilha de Lanzarote, arquipiélago das Canarias, no ano de 1843 nasceu Juan Tomás de Ganzo y Pacheco. Aos 23 anos de idade (em 22 de dezembro de 1866), Juan contraiu matrimônio com Margarita Fernández, de 16 anos de idade. Formaram seu espaço e tiveram quatro filhos. Mas o destino quiz que em muito pouco tempo Margarita ficasse viuva, e com a responsabilidade do cuidado de seus filhos exclusivamente a seu cargo...
Naquelas épocas, os progressos da ciência e da tecnologia, como segue sendo na época atual, facilitam a produção de bens e serviços, e com isto facilitam a vida de muita gente... Mas também prejudicam a outras pessoas... Juan e Margarita tinham “campos de cochinillas”, que eram plantios nos quais se criavam uns insetos denominados cochinillas, que se utilizavam para fabricar um corante para a industria textil. O progresso da química, com a descoberta de anilinas sintéticas, Fez com que a demanda pelo produto do que vivia a familia, praticamente desaparecesse...
Corria o ano de 1887 e Angel, com seus 16 anos recém completados, acompanhado de seu irmão menor Juan, que ainda não havia completado os 15 anos, partiram
acompanhados unicamente por uma carta de recomendação para uma familia canária que já se havia radicado em Montevideo, a buscar aqui novos horizontes e novas esperanças de bem-estar econômico para toda a familia.
Pouco tempo depois vieram também Margarita, seu filho maior José y Virginia, a
menor.
E realmente que conseguiram reciclar-se, transformando-se de agricultores em pioneiros da eletricidade e das telecomunicações, no solo de Montevideo, também em grande parte do território uruguayo e no sul do Brasil.


Obs. História publicada anteriormente. Enviada por Nelly Fullgraff Ganzo.
http://familiaganzo.blogspot.com/2006/10/nelly-fullgraff-ganzo.html

Opuntia Tuna

COCHINILLA
Cochinilla é um inseto cultivado na planta chamada Tuna (uma espécie de cactus) sob condições climáticas exclusivas por pequenos grupos de agricultores.
É utilizada nas industrias de cosméticos e textil como corante natural.


La grana cochinilla y sus tintes


Los colores son capaces de cambiar nuestro estado de ánimo y de perturbarnos emocionalmente; quizá por eso, todas las culturas les han otorgado connotaciones morales y espirituales. Los pobladores prehispánicos de México, por ejemplo, representaban los puntos cardinales con colores: el Este con rojo, el Oeste blanco, azul el Sur y el Norte con negro. Los pueblos europeos representaron el poder, el Sol con el color rojo. De ahí la importancia y el valor económico que alcanzaron algunos tintes naturales.
La experta española Ana Roquero explica que "durante la Edad Media, el kermes, colorante animal de origen mediterráneo, ocupó un lugar semejante al que el murex había tenido entre los antiguos. La sustancia colorante, que contiene ácido kermésico, se obtiene de las hembras fecundadas de los insectos Kermes ilicis L. y Kermes vermilio Planchón, parásitos de la encina (Quercus ilex L.) y de la coscoja (Quercus coccifera L.). Desde la desaparición del murex en la alta Edad Media, hasta la total aceptación de la cochinilla en el bajo Renacimiento, el kermes fue la materia tintórea por excelencia de los rojos de lujo".
Otros insectos productores de pigmentos rojos empleados en Europa antes de la introducción de la cochinilla americana fueron:
* Cochinilla de Polonia (Porphyrophora polonica), parásito de la raíz de la Sleranthus perennis. Su principio colorante es el ácido carmínico y el ácido kermésico.
* Cochinilla de Armenia (Porphyrophora hameli) parásito de las especies Aeluropus littoralis y Phragmites communis. De él obtenían el ácido carmínico.
* Grana kermes (kermes vermilio), parásito de la coscoja (Quercus coccifera), para la obtención del ácido kermésico.
Los dos colores superiores, los más costosos, son de origen animal:
1. El carmín que se extrae de la grana cochinilla, la cual muere al parir.
2. Y el púrpura, que se obtiene del caracol púrpura pansa, el cual segrega un líquido de tono violeta intenso que se fija sin ningún mordiente con el sol y el aire. Los tintoreros indígenas después de teñir sus madejas con el líquido expulsado por el molusco, lo colocan de nuevo en la roca bañada por el mar.
La antropóloga Marta Turok y el biólogo Javier Acevedo trabajan desde 1983 en la defensa del hábitat, del recurso y de la cultura del caracol púrpura. Esta tarea se inició contra la sobreexplotación que realizó una compañía japonesa. La depredación del recurso continuó con el desarrollo turístico de Huatulco. El proyecto siguió hasta lograr el decreto del Parque Nacional que abarca la protección de la especie a lo largo del Pacífico mexicano. Sin embargo, en un viaje reciente constatamos que en las zonas más accesibles persiste la depredación ya que personas nativas y turistas consumen caracol púrpura como alimento.



La grana cochinilla

El insecto grana cochinilla es un parásito o plaga de dos géneros de nopal: Opuntia y Nopalea.
El insecto pertenece a la familia coccidae y al género Dactylopius. Hay dos clases principales: a) una grana cochinilla fina que se cultiva, blanca, "plateada", doméstica, delicada y vulnerable que puede vivir en la planta durante siete años; se distingue por producir un fino polvo ceroso; y, b) una grana cochinilla silvestre (xalnocheztli, ixquimiliuhqui) mucho más pequeña, que produce una especie de algodoncillo; tiene una gran tolerancia climática y resiste cualquier altitud, pero es capaz de acabar con la planta en seis meses. Todas las especies producen el tinte característico: ácido carmínico. La diferencia está en la cantidad y en la calidad.

Testimonios precortesianos sobre la cochinilla

Los aztecas llamaban a la grana cochinilla nocheztli. Así nos lo hizo saber Fray Bernardino de Sahagún, el primer estudioso y antropólogo empírico que sistematizó las Cosas de la Nueva España: "Al color con que se tiñe con la grana que llaman nocheztli, quiere decir sangre de tunas, porque en cierto género de tunas se crían unos gusanos que llaman cochinillas apegados a las hojas, y aquellos gusanos tienen una sangre muy colorada; ésta es la grana fina y hay grandes tratos de ella; llega hasta la China y hasta Turquía, casi por todo el Mundo es preciada y tenida en mucho. A la grana que ya está purificada y hecha en panecitos, llaman grana recia, o fina; véndenla en los tianguez para los pintores y tintoreros".



Los testimonios coloniales

Francisco Hernández, científico español y médico de la corte de Felipe II, elaboró un catálogo con las riquezas naturales del nuevo territorio en poder de la corona española y lo llamó Historia natural de la Nueva España. En sus registros aparece el nopal y los "gusanillos" de cochinilla. Relata que a veces nacen en forma espontánea y otras por "industria humana para teñir de color escarlata la lana".
De la época de la civilización incaica se han encontrado en las necrópolis de Paracas y Nazca innumerables telas bordadas con las que envolvían los cuerpos de los muertos; estos tejidos conservan un colorido muy vivo. La técnica textil es de las más avanzadas, pues hay desde finas gasas hasta tapices entretejidos con figuras en relieve con colores brillantes. Los tonos suman 190. Entre las materias tintóreas de donde podían extraerlos estaba la cochinilla.



Difusión de los tintes naturales en Europa


Leon Diguet, en su libro Las cactáceas útiles de México, publicado en Francia, menciona que la primera exportación de cochinilla a Europa fue en 1523, apenas dos años después de consumada la conquista de Tenochtitlán. En 1540 se imprimió uno de los primeros tratados de tintes. Con el descubrimiento de América llegaron a España sus colorantes naturales. Entre ellos destacó la grana de Oaxaca, el segundo artículo de exportación de la Nueva España después del oro y la plata. España la introdujo a toda Europa lo que le significó un importante ingreso. Fue utilizado para teñir los ropajes de la nobleza y los eclesiásticos y, posteriormente, las chaquetas del ejército británico.
El comercio de la grana era una actividad que estaba por encima de cualquier otra en el reino español. Las autoridades coloniales nombraron jueces para evitar el fraude y la adulteración en la calidad del tinte. En 1572 se creó el cargo de juez de grana en Puebla y Oaxaca. Eran funcionarios encargados de revisar y después registrar la pureza de la grana para enviarla a Sevilla en zurrones de cuero. Se promulgaron una serie de leyes que castigaban a los infractores con multas, confiscaciones, destierros y penas corporales.
Gonzalo Gómez de Cervantes preparó en 1559 un Memorial ilustrado, del Consejo de Indias sobre el cultivo de la cochinilla y el cual se conoció casi cuatro siglos después, en 1944. Gómez de Cervantes fabricó un microscopio para realizar un detenido examen de la grana: "es uno de aquellos vivientes que los naturalistas conocen con el nombre de Progalli-insecto, y que presenta a la observación portentos maravillosos de la Omnipotencia. Compónese de dos especies de individuos, de machos y hembras; los machos son los que vuelan y gozan en su vida de una gran agilidad; las hembras, que son las que interesan a la industria, adherida al nopal de cuyos jugos se nutre son una viva imagen del reposo, pues están destinadas a tener por sepulcro el mismo sitio en que colocaron su primera habitación".
Por su parte, una ordenanza de Felipe III decía: "Uno de los más preciados frutos que se crían en nuestras Indias Occidentales es la grana o cochinilla, mercadería igual con el oro y la plata". El rey envió a la Nueva España un decreto en donde prohibía que los metales preciosos se enviaran a España y a La Habana en embarcaciones que no fueran de guerra. La grana fina, decía, debe ser comprendida en la prohibición, como si fuera oro o plata. El virrey Enríquez dictó normas para explotar y exportar la grana a Filipinas y España desde las regiones de lo que es hoy en día son los estados de Oaxaca y Puebla. El virrey Luis de Velasco dictó ordenanzas de gran importancia para esta rama económica de la Nueva España.



En las Apuntaciones sobre el cultivo del nopal y cría de la cochinilla en las Islas Canarias, publicado en 1846, se establece que "en 1820, llegaron a Cádiz con dirección a la Sociedad Económica ocho nopáles ó higueras tunas traídas de América, las que venían cargadas del insecto llamado Cochinilla. La sociedad consiguió en el mismo año una jeneración numerosa, y en consecuencia las Córtes mandaron por decreto, que se escitase el celo de las provincias, que por su temperatura permitiesen el cultivo de este insecto. Ninguna parecía en efecto mas a propósito que la de Canarias, y bien lo comprendió así el Canónigo José Quintero Estévez, a quien se le debe en gran parte el rápido vuelo que ha tomado en las Islas la plantación de la Cochinilla". Ahora envían parte de la producción a los italianos, quienes la utilizan para dar color a la famosa bebida Cinzano.
Fray Francisco Ximénez en su Tratado sobre la naturaleza escribió: "Así queda el nocheztli según el modo que se prepara: hace unas veces de color purpúreo y otras el color de grana encendido, y el color fuertísimo se hace de esta manera: muelen la cochinilla y échanla en remojo en el cocimiento del árbol llamado tezhuatl a donde le añaden un poco de alumbre, y recogido lo que se asentó se forma en tabletas aglutinadas con baba de nopal y se guarda".
Sin embargo, la demanda ocasionó que se comenzara a introducir una grana de mucho menor calidad. A partir de 1856 el uso de la grana decae porque la industria europea inicia la producción de anilinas y substancias químicas sintéticas.

04 outubro 2007

Biografia de Juan Ganzo Fernandez - Até 1927


JUAN GANZO FERNANDEZ 05.10.1872 - 02.04.1957



Espanhol, nascido nas Ilhas Canárias, Las Palmas, a 5 de outubro de 1872.
Em 1885 veio para o Uruguai, trabalhando um tempo na fábrica de tintas da família.
Em Montevidéu estudou, especializando-se em eletricidade. Era um admirador convicto do sábio Alexander Graham Bell, criador dos serviços telefônicos nos Estados Unidos, em 1876.
Idealista e empreendedor, acreditava ser a voz humana o natural meio de comunicação. Instalou linhas telefônicas em San José / Uruguai e ligou Montevidéu a Canelones, Florida e Santa Lúcia.
No Uruguai, Juan Ganzo Fernandez pertencia as fileiras do Partido Nacional, dos líderes blancos da família Saraiva, ao lado dos quais esteve lutando nas revoluções de 1897 e 1904. Das batalhas contra os colorados, conquistou o título de coronel, que ostentava com orgulho.
Convidado por Dr. Carlos Barbosa, Juan Ganzo Fernandez instalou telefonia em Jaguarão, Bagé e em muitos outros locais no Rio Grande do Sul.
Juan Ganzo Fernandez foi o Pioneiro da Telefonia no Rio Grande do Sul.
Em 1908, Juan Ganzo Fernandez criou, em Porto Alegre, a COMPANHIA TELEPHONICA RIO-GRANDENSE e, em 1922, introduziu o telefone automático, a fonografia e o serviço rádio-telefônico, ligando Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. O Livro-Diário com a ata da fundação da Companhia Telephonica Rio-Grandense hoje está no acervo do Museu da CRT - Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações, na Avenida Antônio de Carvalho, 555, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O Museu reúne em seu acervo mais de 600 peças, entre aparelhos telefônicos, fotografias, livros, documentos, equipamentos, enfim, objetos que denotam a evolução das comunicações telefônicas em nosso Estado.
Em 1927 o Coronel Ganzo vendeu o acervo telefônico à ITT - International Telegraph and Telephone, empresa norte-americana, permanecendo como Diretor até 1940, quando passou a residir em Florianópolis, Estado de Santa Catarina, onde faleceu a 2 de abril de 1957.
Juan Ganzo Fernandez, a 7 de setembro de 1924, fundou, juntamente com o Dr. Décio Martins Coimbra, Diretor do Jornal "A Federação" e Augusto de Carvalho, a Rádio Sociedade Rio-Grandense, primeira emissora do Rio Grande do Sul. O transmissor foi doação de Juan Edison Ganzo Fernandez e Evaristo Bicca Quintana, que foram busca-lo em Buenos Aires, na Argentina, onde o rádio já estava bem mais desenvolvido. Foi o primeiro transmissor de radiobroadcasting que chegou ao Rio Grande do Sul. Juan Edison Ganzo Fernandez era filho de Juan Ganzo Fernandez, batizado conforme uma mania familiar de homenagear inventores, no caso, o da lâmpada incandescente, o norte-americano Thomas Alva Edison.
O Jornal "A Federação", tradicional jornal gaúcho diário, na data de 5 de setembro de 1924, na secção "Radiotelephonia", estampou, como subsídio histórico:
"No salão nobre da "Federação" reuniram-se numerosos amadores de radiotelephonia, resolvendo fundar uma sociedade no gênero das existentes no país e no estrangeiro. Aclamado para presidir os trabalhos, o Dr. Décio Coimbra, diretor desta folha, expôs os fins da reunião, propondo que se desse à novel Associação o nome de "Rádio Sociedade Rio-Grandense".
No mesmo Jornal "A Federação", edição de 8 de setembro de 1924, na página 5, temos a confirmação de que se cumpriu o previsto na Assembléia já descrita. O jornal, com destaque, estampou:

"A RADIOTELEPHONIA ENTRE NÓS inauguração da R. S. R. (Rádio Sociedade Rio-Grandense) suas primeiras irradiações

Inaugurou-se ontem, às 21 horas, num dos salões da Vila Diamêla, gentilmente cedido pelo Sr. Cel. Juan Ganzo Fernandez, a novel Rádio Sociedade Rio-Grandense, fundada por amadores residentes nesta Capital. O Sr. Eduardo Guimarães saudou o Presidente do Estado e demais autoridades afirmando:
"Já não há, conquista da nossa época, distâncias invencíveis, e as antigas morosidades do tempo e do espaço foram abolidas".
Programação inaugural:
- Lohengrin, de Wagner: Sonho de Elsa, pela Professora do Conservatório, Srta. Olinda Braga.
- Da ópera Thais, de Massenet: "Dis-moi que je suis belle", pela Srta. Aracy Godoy Gomes.
- "Ricordando", de Genero Napoli, pela Sra. Marques Pereira.
- "Polonaise", de Chopin, pela srta. Zaira Autran.
- "A Canção da Saudade", de Olegario Mariano, pela Srta. Diamêla Ganzo Fernandez.
Um mês depois, 7 de outubro de 1924, a secção "Radiotelephonia", do Jornal "A Federação", inseria a convocação para uma Assembléia Geral para eleição da primeira Diretoria definitiva da "Rádio Sociedade Rio-Grandense", marcada para o dia seguinte.
A mesma convocação anunciava que o número oficial de cem sócios já se elevara para trezentos. E relacionava seus nomes.
À 11 de outubro, à página 2 do mesmo jornal, divulgavam-se os resultados daquela Assembléia que teve por local os elegantes salões da "Rocco", a mais requintada confeitaria da época:
"Directoria eleita: Presidente: Juan Ganzo Fernandez; Vice-Presidente: Dr. João Alcides Cunha; 1º Secretário: Augusto de Carvalho; 2º Secretário: José Pessoa de Mello; 1º Thesoureiro: Dario Coelho; 2º Thesoureiro: Gustavo Leyraud. Conselho Diretor: Edison Ganzo, Dr. Mário Reis, Prof. Tasso Corrêa, Adeodato Araújo. Suplentes: Germano Heussler, J. Ennet, Alfredo Meneghetti e Pelegrin Filgueiras. Conselho Fiscal: Dr. Viterbo de Carvalho, Luciano Junqueira e Luciana Cunha.
Da mesma ata constou a notícia, das mais animadoras aos presentes, de já estar "quase instalado novo e potente transmissor da Rádio Sociedade Rio-Grandense, na Escola Complementar".
A Rádio Sociedade Rio-Grandense procurou seguir o modelo da época, implantado no Rio de Janeiro por Roquette Pinto. Radioamadorismo e associativo. Cada um de seus trezentos sócios deveria contribuir com mensalidade de cinco mil réis.
Nem sempre pontuais nas contribuições, os sócios deixaram a empresa com sérios problemas econômicos. Partiu-se para o debate sobre as conveniências ou não de se apelar ao comércio. Este foi voto vencido. Pretendeu-se fidelidade aos princípios exclusivamente culturais ditados pelo fundador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.
A Rádio Sociedade Rio-Grandense, por isso mesmo, não chegou a comemorar o seu segundo aniversário.
Os depoimentos colhidos, quanto aos receptores da época, 1924, em Porto Alegre, esclareceram que, além do razoável número de "galenas", já existiam receptores à válvulas, importados pela firma "Barreto Viana" ou comprados no estrangeiro, principalmente em Buenos Aires, por eventuais viajantes. A tais aparelhos eram acopladas cornetas metálicas, alto-falantes, sem condições ideais de sonoridade. Os receptores usavam energia de "pilhas", mais propriamente, "baterias", bastante volumosas.
Cel. Juan Ganzo Fernandez era não só um trabalhador mas, um sonhador voltado a grandiosas realizações.
Possuia uma enorme área verde entre a Rua do Menino Deus (atual Av. Getúlio Vargas) e Av. Praia de Belas, conhecida como "Vila Diamêla", nome de uma de suas filhas.
Em 1913 organizou, na Vila Diamêla, o 1º Zoológico Porto-Alegrense. Havia variada coleção de pássaros de vários portes, em viveiros adequados e artísticos, alguns lagos, sombreados por taquaras. Era muito variada a coleção de macacos, de sagüis nativos e até orangotangos africanos. Tinha também: tigres, leões, leopardos e ursos em jaulas especiais, camelos, elefantes e uma onça pintada vinda de Erechim, a qual era muito admirada.
No prédio fronteiro do Zoológico funcionava um cassino e um café concerto, inédido e atraente recanto nesta Capital.
Mais ou menos em 1925 foi fechado o Zoológico. Os animais foram levados para o zoológico de Montevidéu e Buenos Aires.
Certa ocasião, no centro do Zoológico, foi montada a ópera "Aida" (Verdi) por uma companhia italiana.
Nos fundos do terreno ficavam as oficinas da Cia. Telephonica Rio-Grandense e um grande galpão de madeira com canchas, onde os funcionários da Companhia Telephonica jogavam bocha.

Colaboração de Ivan Dorneles Rodrigues - PY3IDR
e-mail: ivanr@cpovo.net

28 agosto 2006

Um pouco de história... Mas há dúvidas

Meu bisavô originou-se da Ilha de Lanzarote, Ilhas Canárias, possessão espanhola. Lá, na cidade de Yaiza (lê-se Iaíssa) existem várias familias com o mesmo sobrenome, tanto grafado Ganzo como De Ganzo, são a mesma coisa. A origem do nome Ganzo nas Ilhas Canárias procede de Portugal da familia dos Guedes e o primeiro que usou o apelido foi Lourenco Martins Ganço, casado com Maior Pires Ervilhao, nascendo deste matrimônio um filho, continuador do apelido Ganzo, pasando logo a um de seus descendentes cujo nome se desconhece, a Lanzarote onde se assentou em um lugar ao qual deu nome. Neste núcleo de povoação conhecido como Ganso ou Ganzo existiam no século XVII ao menos cinco casas documentadas, sendo este lugar morada da familia de Juan Tomás de Ganzo, que ocupou vários cargos, como o de escrivão público durante o século XVII e que realizava suas atividades entre seu lugar de residência no lugar de Ganzo e na Villa de Teguise (antiga capital da ilha) e teria propiedades em Ganzo, Uga e El Chupadero, todos estes lugares aparecem nos documentos da época, ou seja, que sua existência é certa.
Quanto ao desaparecimento do lugar ou aldeia de Ganso (essa é a grafia da época) não há referências históricas claras referente a data exata em que foi sepultada por lava vulcânica, pois foi devido a sucessivas erupções vulcânicas do Timanfaya ocorridas entre 1 de setembro de 1730 e 16 de abril de 1736, que inclusive destruiu também Santa Catalina, Ganso, Chichiganso, Chimanfaya, El Chupadero, Tingaya, Testeína e Mazo. Pouco se pode saber anteriormente ao ano de 1618, em que os ataques de piratas e do turco Arraéz se encarregaram de destruir os documentos dos cartórios de Lanzarote quando queimaram e arrasaram Teguise (capital da ilha até meados do século XIX), levando-se consigo a metade da população da ilha. Nesses momentos desapareceu toda a documentação notarial anterior ao ano de 1618. No ano de 1660 existiam em Ganso ao menos tres maretas chamadas Ganso, Villaflor e Nosa. Também existem dados sobre a venda de dois terços do término de Ganso que realizou Guillén de Betancor Velázquez, padre que havia sido de Yaiza ante o escrivão Juan José de Hoyos, com suas casas, currais, maretas, vegas e terras de pan sembrar, feitas e por fazer, do que se deduz que o outro terço do lugar quem possuia era Juan Tomás de Ganso, já que este tinha propriedades em Ganso, Uga e El Chupadero.

Texto enviado por Félix Juan Montelongo, natural de Yaiza, Lanzarote.

Un poco de historia... pero haber dudas

El origen de este apellido en cuanto a su implantación canaria procede de Portugal y aparece con distintas grafias: Ganzo, de Ganzo, Ganso y de Ganso. Este apellido procede de la voz portuguesa ganço, de etimología poco clara, que podría provenir tanto de ganho (lucro) como de ganso (ave palmípeda). Los primeros miembros de la saga son de origen portugués llegados posiblemente a Lanzarote a principios del siglo XVI cuando la masiva arribada de emigrantes portugueses para cultivar cereales en las llanuras de la isla, donde parece ser que un portador del apellido Ganço, cuyo nombre se desconoce, debió asentarse y dar nombre al lugar de Ganso. Este lugar fue asiento de la familia del capitán Juan Tomás de Ganzo que realizaba sus actividades entre su lugar de residencia y la Villa de Teguise (antigua capital de la isla), ocupando diversos cargos, escribano público y de Cabildo, por merced del conde y marqués de Lanzarote, don Agustín de Herrera y Rojas, otorgada el año 1625, Justicia Mayor, Juez Ordinario y Alcalde Mayor de la isla, así como escribano de Cámara de la Real Audiencia de Canarias. Este Juan Tomás de Ganzo, tenía propiedades en Ganzo, Uga y El Chapadero. El apellido Ganzo proviene de la familia de los Guedes. Gueda Gomes, hijo de Gomes Mendes Guedeao y su esposa Chamoa Mendes, casó con Urraca Henriques de Portocarreiro, hija de Henrique Fernandes Magro y de Ouroana Reimondes de Portocarreiro, que estuvo en la conquista de Sevilla. De este matrimonio nacieron, entre otros hijos, Gil Guedes, que casó con María Fernandes de Sousa, hija de Fernao Gonçalves de Sousa y de su mujer Teresa Pires, de quien nacieron entre otros hijos, Martín Gil de Aroes. Este Martín Gil de Aroes, casó con Toda Lourenço de Gundar, hija de Lourenço Fernandes de Gundar y de Maria Martins de Ataide y tuvo a Lourenço Martins Ganço, que casó con Maior Pires Ervilhao, hija de Pedro Martins Ervilhao y de Elvira Pires, naciendo de este matrimonio Estevao Lourenço Ganço, continuador del apellido paterno que casó con Teresa Gomes, hija de Gomes Pais de Azevedo y de Constança Rodrigues de Vasconcelos, de cuyo matrimonio nacieron varios hijos.
Juan Tomás de Ganzo fue nombrado Alcalde Mayor de Lanzarote el 27 de febrero de 1658 y tuvo al menos una hija llamada María Perdomo de Ganzo, a quien el marqués de Lanzarote le concedió el oficio de escribano público y de cabildo el 28 de noviembre de 1645, y que ésta cedió luego a su esposo Juan de Betancor Jerez, todos estos documentos se custodian en el Archivo Histórico de la Villa de Teguise. La parroquia de Yaiza fue erigida el 10 de septiembre de 1728 y conserva los libros de registro de bautismo y otros desde esa fecha, aunque en 1818 se erigió también en la zona, la parroquia de Femés, la cual dejó de ser parroquia en 1962 y vuelve a depender de Yaiza. De seguro que en está parroquia encontrarás a tus antepasados. En cuanto al apellido Ganzo, originario del pueblo cántabro de su nombre, el cual visité hace unos años, nada tiene que ver con el apellido Ganzo de Canarias. Además el apellido Ganzo aparece en antiguos documentos de Lanzarote escrito de varias formas, entre ellas el Ganço portugués.
Acabo de encontrar el testamento otorgado por Diego Ruiz ante el escribano público Salvador de Quintana Castrillo el día 28 de agosto de 1618, que entre otras cosas dice que dicho documento se firmó en la casa del otorgante que está en Ganso, también declara que aportó a su matrimonio 6 fanegadas de tierra que lindan con el lugar de Ganso y que heredó de sus padres unas suertes de tierra en el término de Ganso, en el lugar que dicen Lago, con las casas y morada que habita, una prueba documental más de la existencia del lugar llamado Ganso Referente a Juan Tomás de Ganzo éste anteponía a su apellido la preposición de, lo que significa claramente que su apellido procedía con toda probabilidad del lugar de Ganso, pues seguramente aparte de residir en dicho lugar debía ser tambien natural de allí.

Juan Montelongo

25 agosto 2006