16 abril 2007

Matéria sobre Juan Ganzo Fernandez

Juan Pedro Guillermo Maria de Los Remédios Ganzo Fernandez, Foto compartilhada gentilmente por Lótus Ganzo.


Recebi ainda há pouco um e-mail muito interessante do Sr. José Luiz Prévide, jornalista, responsável pelo site "Porto Alegre é Assim!" http://www.palegre.com.
Entre os assuntos relacionados, está a publicação deste histórico de Juan Pedro Guillermo Maria de los Remedios Ganzo Fernandez. Muito bonito!
Leiam com atenção... vale a pena!



histórias da rua da praia!
da Redação
Avenida Ganzo
A Ganzo sempre foi um ponto turístico de Porto Alegre, no bairro Menino Deus. Os próprios moradores cultivam com orgulho os jardins da avenida, tornando-a uma das belas vias do país. Até hoje é mantido o desenho original.
Por ali morou em uma chácara um dos mais admiráveis estrangeiros que adotou, por um bom tempo, Porto Alegre como sua cidade. Além de fundar a primeira empresa de telefonia automática, criou o primeiro zoológico de Porto Alegre.
Acompanhe a vida do coronel Ganzo.
Raras personalidades no mundo foram tão fascinantes como Juan Pedro Guillermo Maria de los Remedios Ganzo Fernandez, o coronel Ganzo. Ele nasceu em outubro de 1868 no povoado de Yaiza, na ilha de Lanzarote, uma das Canárias, arquipélago espanhol. A mãe era dona de uma fábrica de tintas e o pai morreu antes do seu nascimento.
Em 1882, quando tinha 14 anos, a família embarcou num navio e mudou-se para Montevidéu. Logo sua mãe abriu uma padaria e confeitaria que seria uma das maiores da cidade e adotou para sempre a nacionalidade uruguaia.
Montevidéu já tinha um serviço de telefones. Graham Bell havia registrado a patente da invenção em 1876. Interessado, Juan fingia ser funcionário da telefônica para entrar nas casas e abrir o aparelho, em busca de segredos.
Aos 17 anos, criou sua própria companhia de telefones em San José, a 100 quilômetros ao norte da capital uruguaia, estendendo suas redes em direção ao Brasil. Em 1899 suas linhas chegaram a Bagé, no RS, onde comprou também uma empresa local de telefones e energia. Ganzo veio definitivamente morar no Brasil em 1901, instalando-se em Bagé, na fronteira como Uruguai.
Em 1922, o coronel Ganzo instalou em Porto Alegre a primeira central telefônica automática da América do Sul, três semanas antes de Buenos Aires. A novidade só chegou a São Paulo em 1928 e ao Rio de Janeiro em 1929.
Em 1924, vendeu sua Companhia Telefônica Rio Grandense (CTR) a uma empresa americana para impedir que um sócio uruguaio em apuros tivesse prejuízo ao ter que vender apenas sua parte minoritária na empresa.
Com dinheiro e sem a empresa, Ganzo tratou de investir em outras coisas. Morava numa chácara no Menino Deus, mais ou menos onde hoje está a avenida com seu nome. Levou para lá animais exóticos, por puro prazer. Leões, camelos e outros bichos atraíram a curiosidade dos vizinhos. Ganzo resolveu ganhar um dinheiro: cobrava ingresso.
Nessa época, encontrou em Buenos Aires um amigo e foi assistir a um leilão no porto. Acabou comprando um grande barco de passageiros. Passou a explorar uma linha regular entre Montevidéu e Buenos Aires.
Historinha: Em 1912, enviou o filho mais velho, Juan Carlos, para terminar o curso de engenharia na Europa. O rapaz estava na Alemanha quando estourou a Primeira Guerra Mundial, mudando-se para a Suíça. Pelas agruras da guerra, os cigarros valiam ouro. Juan Carlos vivia com o contrabando de cigarros enviados pelo pai, enrolados em jornais brasileiros, via correio.
Outra história: Em 1936, juntamente com outros sete sócios brasileiros, argentinos e uruguaios fundou a refinaria de petróleo Ipiranga, em Rio Grande. Deixou a sociedade em 1938, quando um decreto de Getúlio Vargas proibiu que empresas de petróleo tivessem estrangeiros como sócios. Mesmo tendo filhos nascidos no Brasil, preferiu vender sua parte, em solidariedade aos sócios argentinos e uruguaios.
A professora Doris Fagundes Haussen conta em Memórias das profissões e da mídia regional: trajetória do Rádio que “dos pioneiros da radiodifusão gaúcha convém destacar o papel desempenhado pelo coronel Ganzo, que trouxe a idéia da radiodifusão para o RS, inspirado em suas viagens a Europa e à Argentina, onde também se desenvolviam experiências. Também o seu filho, Edison Ganzo, veio a participar da criação da pioneira Rádio Sociedade Rio-Grandense e da Rádio Sociedade Gaúcha.
Ganzo era uma empreendedor insaciável.
Em 1920, não havia um sistema de telefones integrado em Santa Catarina. Florianópolis e Joinville tinham dois sistemas locais próprios. A empresa Triks & Elkhe tinha a concessão do serviço da capital desde 1907, por um prazo de 20 anos. Quando terminou o prazo, o governador Adolfo Konder, irmão do então ministro da Viação e Obras Públicas, Víctor Konder, resolveu ousar. Adolfo conhecia pessoalmente Juan Ganzo e sabia que o coronel, com 59 anos, havia vendido sua empresa telefônica no RS para os americanos. Tinha que tentar levá-lo.
O governador convidou o coronel para mudar-se para Florianópolis e construir a primeira companhia telefônica nacional. Ganzo aceitou o desafio e enviou o filho Juan Carlos para dar início a uma nova empresa. Em 1930 mudou-se para a ilha e oito anos depois transformaria a empresa numa sociedade anônima chamada Companhia Telefônica Catarinense. Em 1969 foi estatizada como Cotesc, precursora da Telesc.
Juan Ganzo Fernandez morreu aos 88 anos, em Florianópolis, em dois de abril de 1957.

14 abril 2007

Uruguay, vizinhos ao sul

Verão de 2004... data inesquecível para nós. Meu pais passaram um mês no Uruguay e na última semana, nos juntamos a eles, naquela estada temporária.
Incrível, mas desde o primeiro momento em que pusemos nossos pés naquela terra maravilhosa, nos sentimos em casa. Provavelmente o sangue fluía com muita excitação... afinal... esta é a terra de nossas origens, nosso passado. E certamente, assim nos sentimos! O calor humano de seu povo, a delicadeza, a educação... tudo por lá é maravilhoso. Nos sentimos em casa! Meus filhos me pedem sempre para que retornemos ao Uruguay.
Ando pensando sériamente nesta possibilidade, ainda mais agora que descobrimos a porção oriental de nossa família. Seria uma grande honra retornarmos a este lindo país.

Anexo aqui, duas interessantes páginas da Web sobre o Uruguay. Visite-as... vale a pena sabermos mais sobre a terra de nossos avós!

Abraços a todos!


http://www.overmundo.com.br/imprime_overblog/uruguay-vizinhos-ao-sul
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_uruguai

07 abril 2007

Páscoa 2007

Foto de 1957, no casamento de meus pais. Da esquerda para a direita vemos entre tantos, o Tio Carlos Alberto Ganzo Fernandez, Tio Juancito (Juan Ganzo Fernandez Filho), minha querida avó Albertina Saikowska de Ganzo Fernandez, Florinda Ganzo (Negra), Vô Juan Carlos Ganzo Fernandez, minha mãe Clorinda Ganzo Pereira, meu avô por parte de pai, o amado vô Merico (Argemiro Afonso Pereira), meu pai Dalby Verani Pereira, minha outra saudosa e adorada vó, Lucinda Cascaes Verani, o tio Dalcy Verani pereira, Tia Adelaide Cascaes, Tia Sirley Pereira Bez, Tio Ivo Bez, Tio Ramirez Ganzo fernandez e Norberto Hill.




Mais um dia de chuva. Mais um daqueles dias que dá vontade de ficar o dia inteiro na cama. Mas... música tocando, músicas lindas, lentas... e vem a nostalgia. Aquelas lembranças que, de tão boas, insistem em se manter fortes na nossa memória. Passado e presente se misturam... afinal, é com estes acontecimentos que construimos o nosso futuro.
E aqui fico eu, viajando ao passado em meus pensamentos e revendo aquelas pessoas que nos precederam e nos ensinaram a razão de viver. Mesmo aqueles que não conhecemos... parentes, amigos, conhecidos... de certa forma todos contribuiram e continuam a contribuir para a formação de nossas qualidades. Nossas e de nossos filhos. Eles irão dar continuidade a esta linda história dos imigrantes de Lanzarote.
O tempo voa... em breve não estaremos mais aqui também! A vida é linda, mas precisa ser bem vivida. Respeito, perdão, amor... são palavras chaves neste intrigado jogo da vida. De nada nos serve viver sem prazer, sem amor, sem respeito... sem perdoar!!! Muitas vezes, descobrimos que aquelas histórias contadas sobre erros de alguns no passado, imperdoáveis ao longo da vida, não era lá isso tudo. Foram interpretações errôneas de atos honestos e bem intencionados.
Comigo aconteceu o mesmo... desliguei-me completamente de parte da família de minha esposa.
Pedi perdão anos depois... mesmo que ao meu ver, eu tenha sido correto em minhas afirmações, mas não me foi dado o perdão. Sabe, sinto muito por minha esposa e por meus filhos que não puderam mais conviver com a alegria que havia naqueles encontros da família. Éramos muito amigos... mas fazer o quê? O tempo se encarregará de corrigir os erros de alguns... ou esquecê-los.
Perguntei aos meus pais sobre certas intrigas na família Ganzo e descobri que, como citei anteriormente, má interpretações geraram certos desconfortos entre os familiares no passado.
Crescemos ouvindo estes erros, como verdades absolutas... e não são!!!
A quem tenha sido prejudicado por estes falsos julgamentos, peço que perdoe aqueles que o julgaram mal. Assim, poderemos ter a harmonia de que necessitamos para caminharmos juntos como uma verdadeira família.
Um grande abraço a todos e FELIZ PÁSCOA!

Victor Pacheco dos Reis Ganzo Pereira


Sabe... para falar de meu filho seria preciso muitos adjetivos. Esse rapaz é um doce... maravilhoso e amado. E assim que tento escrever algo... as recordações me acometem... são tantas e tão boas!
Lembro-me de estar na maternidade a espera de seu nascimento, com a companhia de muitos de nossas famílias, amigos... muita ansiedade... mas havia o fator surpresa: Eu jamais havia sido pai... não imaginava a reação que iria surgir... sabe, aquela sensação de "cair a ficha"? Foi isso que me ocorreu! Quando a enfermeira trouxe o neném, meu néném para olharmos... hummmmm... não consegui me conter. Aquela criaturinha de Deus em seu colo era meu filho! Meu FILHO!!! Maravilhoso... minha vida mudou desde então... a felicidade que trouxe a nosso lar, as nossas vidas... é grandiosa!
Este rapaz, hoje com 14 anos é um orgulho para nós... calmo, inteligente, tímido e muito querido.

Filho... te amamos muito! Estaremos sempre te acompanhando em sua jornada e no que depender de nós, jamais te decepcionaremos. Sabes que sempre contarás conosco!
Te desejamos muita sorte e principalmente, muita garra para ser um adulto vencedor! Você é meu ídolo! Te amo muito filhão!

03 abril 2007

Juan Ganzo Fernandez e os Blancos


Juan Ganzo Fernandez foi filiado ao partido Blanco no Uruguay. Participou ativamente da revolução de 1904 e também possivelmente de outras anteriores.
Esta foto, provavelmente datada de 1904, nos mostra creio eu, além meu bisavô (centro da foto, com a espada em punho), meu avô (Juan Carlos Ganzo Fernandez), ainda criança, aproximadamente com 12 anos de idade, sentado ao chão. Acredito ser ele, pois em outras fotos de meu avô ainda criança, percebe-se a semelhança. Recebi esta foto e mais algumas outras da senhora Lótus Ganzo Barcellos, de seu álbum particular.


La revolución de 1904
El 1º de enero de 1904, Aparicio Saravia se levantó otra vez contra el gobierno de Batlle. Ya habia estado enfrentado con el gobierno varias veces en los años anteriores; con sólo 14 años participó en la Revolución de las Lanzas (1870-1872), conducida por Timoteo Aparicio, y donde se ganó el apodo de "Cabo Viejo"; en 1875, con dos de sus hermanos se integraron a la Revolución Tricolor, siguiendo a Ángel Muniz; en 1886, con 30 años de edad, participa en la Revolución del Quebracho que duró una semana (26 al 31 de marzo). En los años 1893 y 1894 interviene en la guerra civil brasileña, donde es muerto su hermano Gumersindo. Después, en 1897 encabeza junto con Diego Lamas otra revolución contra las fuerzas gubernistas que luego de siete batallas (en una de ellas –Arbolito– murió su hermano Antonio, apodado "Chiquito") culmina con el Pacto de la Cruz, mediante el cual se renunciaba a la lucha armada, y se consagraba la representación de las minorías.
El 1º de marzo de 1903 inició su primer período presidencial José Batlle y Ordóñez; y como había cierta disconformidad por la concesión de las Jefaturas Políticas que les correspondían a los blancos, se suscribió el Pacto de Nico Pérez (22 de marzo de 1903), pero lo que no se solucionó por escrito fue el pedido nacionalista de que las fuerzas de línea no entraran en los seis departamentos administrados por los Blancos.

Y en enero de 1904, otra vez Saravia tomó las armas. La chispa que encendió la hoguera fue el envío de fuerzas militares del gobierno al departamento de Rivera, debido a la detención y posterior fuga hacia el Brasil, del hermano del Prefecto de Livramento. Aparicio Saravia consideró que ese envío de tropas violaba el pacto de Nico Pérez (que había otorgado seis Jefaturas Políticas a los blancos, entre ellas Rivera), e inició la guerra civil que durante ocho meses aquejó al país. Gubernistas y saravistas, se enfrentaron en combates con variada suerte. Se sucedieron los enfrentamientos de Mansavillagra, Illescas, Fray Marcos, Paso del Parque del Daymán, Tupambaé. La batalla decisiva fue la de Masoller, en la confluencia de los límites de los departamentos de Salto, Artigas y Rivera, junto a la frontera del Brasil. La misma se concretó el 1º de setiembre de 1904.

Ya terminada la batalla, una bala hirió gravemente a Aparicio Saravia, quien falleció el 10 de setiembre, en una estancia en territorio brasileño. Este suceso, dio el triunfo a los gubernistas, que celebraron el 24 de setiembre de 1904 la Paz de Aceguá con los revolucionarios.

Con Aparicio Saravia desaparecía el último caudillo, que había paseado su estampa por los campos de la patria, vistiendo su clásico poncho blanco.

(extraido de una nota del profesor José L. Guarino, publicada por EL PUEBLO, de Salto)