Site destinado a contar a história da família Ganzo, originária da Ilha de Lanzarote, arquipélago das Canárias. Neste site, temos o prazer de mostrar e comentar sobre todas as pessoas que de uma maneira ou de outra, contribuiram ou contribuem para a continuação desta saga iniciada em 1866.
03 maio 2007
Iaiá querida
Há alguns dias, após receber do João Alberto uma foto inédita da Iaiá, venho soliciatando minha mãe para escrever sobre ela. Levou dias, mas finalmente me entregou seu texto.
Para mim, no auge dos meus 40 anos de idade, as lembranças ora são carinhosas, ora hilariantes... Iaiá era uma mulher de personalidade muito forte. Pequenininha, mas com um coração gigante! Não havia quem não gostasse dela... prestativa, às vezes mandona... ela era ela mesma, personalidade forte e nem aí para os outros. Sempre tratáva-nos como seus filhos. Havia amor naquela mulher... muito amor.
Nós, netos de Juan Carlos Ganzo Fernandez e Albertina Saikowska de Ganzo, sentimos uma imensa alegria em relembrar desta linda criatura de Deus. Deus te abençõe Iaiá, te amamos!
Palavras de Clorinda Ganzo Pereira (Pochi):
"Faz muitos dias que não sinto ânimo para escrever. Minha vida deu uma reviravolta, parece que ficou de "ponta cabeça", mas hoje, falando sobre meus filhos na clínica de fisioterapia (onde faço fisioterapia para meu pé), falei muito da Iaiá. Ela faz parte integrante da minha vida e da de meus filhos.
Maria Luiza Rodrigues (Iaiá) começou a trabalhar na casa da mamãe dia 05 de janeiro de 1938, três dias antes de eu nascer.
Mamãe me contava que ela veio pedir emprego com uma filha de 8 anos, a Beatriz, que até hoje é uma querida amiga.
Não sabia a idade que tinha, pois só foi registrada em Palhoça(SC), onde nasceu, pelo meu pai.
Ela contava que a mãe dela tinha sido escrava e trabalhava na casa do governador Hercílio Luz como cozinheira. O fogão era de lenha e ela, com 8 anos já ajudava a mãe em cima de um caixote para ficar da altura.
Iaiá se tornou figura folclórica na rua Boacaiúva (Florianópolis, SC), onde morávamos. Todos a conheciam e a amavam... Era bondosa, caridosa, alegre, espirituosa. Era demais!
Tinha horror a tirar fotos. Por isso, quase não temos fotos dela. Quando sentia que iam bater fotos, saia rápido.
Quando tive meu 1° filho, ela sai pelas casas da nossa rua avisando a todos que eu tinha ganho um menino. No segundo filho, a mesma coisa. No terceiro, igual. No 4°, ela já dizia: "Outro menino!". Nos 5° e 6° filhos então, ela só dizia: "Não tem geito, só dá menino!".
Mas ela ficava contente com os meninos, amava todos, me ajudava muito com as crianças.
A Beatriz me fazia cachinhos nos cabelos todos os dias.
Iaiá faleceu dois anos após a morte do papai (Juan Carlos), ela sentiu muito a morte dele.
Morreu como um passarinho, como ela queria. Sempre dizia que estava contribuindo para um lar de velhos, porque não queria perturbar ninguém. Mas faleceu dormindo, na casa de meu irmão Beto.
Morreu como todos querem morrer... sem sofrer! Mereceu!"
25 abril 2007
A Família de Pedro Duque de Saavedra e Virgínia Ganzo Duque
Nesta foto, enviada por Carlos Saul Duque, aparecem, Alfredo Fedrizzi (esposo de Flor de Maria), Flor de Maria e alguns de seus irmãos: Teresa, Adão, Maria Ester, Amélia e Moisés e ao centro, Mamá Virgínia (sua mãe).
Flor de Maria foi uma das filhas de Virginia Ganzo Duque e Pedro Duque de Saavedra. Ela casou-se com Alfredo Fedrizzi e mudou-se para Caxias do Sul/RS.
Na localidade de Las Piedras, um distrito do Departamento de Canelones, na República Oriental do Uruguai, vivia um casal de imigrantes espanhóis: Pedro Duque de Saavedra e Virgínia Duque Ganzo. Ambos vieram das Ilhas Canárias. Ele de Lanzarote e ela de Santa Cruz de Tenerife. Conheceram-se na América, namoraram e casaram. Pedro conheceu Virgínia por intermédio de Juan Ganzo, irmão dela. Os dois , trabalhando juntos , introduziram no Uruguai os serviços telefônicos ; anos depois realizaram o mesmo serviço no estado do Rio Grande do Sul , para onde vieram.
(...) Aos dez anos de idade Flor de Maria mudou-se, juntamente com seus pais , para Porto Alegre , no Brasil. (...)
Publicado pela CooJornal
Pedro Duque de Saavedra e Virgínia Duque Ganzo
Mudaram-se para Porto Alegre em 1917
Pedro Duque , após aposentar-se, foi gerente do Zoológico Ganzo em Porto Alegre (atual rua Ganzo).
Obs. Agradecimento especial ao primo Carlos Saul Duque. Obrigado Carlos, sem sua ajuda não seria possível reconstituir esta hitória.
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24 abril 2007
Irmãos
Vendo esta foto, pensei... como a nossa vida passa rápido! Num momento somos crianças cheias de vitalidade, correndo entre as asas de nossos pais e querendo alçar vôos independentes. Queremos ser grandes, adultos! Apressamos nosso relógio da vida para que o tempo vôe. E ele voa... vai fluindo... nos levando... e a nossa infância vai ficando para trás, tímida, quase sem lembranças.Já adultos, começamos a nos preocupar com a velhice e a perceber como éramos bobos em querer ser adultos... pra quê? Uma pergunta que após anos de crescimento, torna-se forte o bastante para com sua força derrubar-nos ao chão e implorar por vitalidade e a eterna juventude. Mas é tarde demais! Nossas preocupações de adulto consomem nossas vidas e deixamos de apreciar demasiadamente sua beleza. Bate o arrependimento de não mais termos mantido nossos laços familiares, de não mais termos visitados nossos entes queridos. Percebe-se tarde demais que os tempos são outros e não há como voltar!
Amigos, primos, tios, a todos os que me tem na estima, desculpem-me por ser tão individualista, por não os conhecer. A vida nos prega peças e esta é apenas mais uma delas. É uma pena, mas como muita coisa nesse mundo, há de se dar um jeito.
Gostaria sim de conhecer meus primos, tios... todos! Seria uma grande honra saber seus nomes, idades, famílias... sua história! Aqui apenas escrevo uma mínima parte da que passou!
Nesta foto acima, revejo a tia Bertita Ganzo Fernandez ao lado de seus irmãos, Edson, Franklin e Diamela. Todos já com idades avançadas. Quantos anos se passaram... não estão mais aqui... ficaram as fotos e a saudade!
Vivam suas vidas da maneira mais sensata. Não apressem o relógio, cuidem bem dele, para que não venha a parar em uma de suas voltas tão cedo. A vida é preciosa e todos nós precisamos de muito mais do que saúde para mantê-la, precisamos de paz e de muito amor. Cuidem-se e não arrisquem demasiadamente. Revejam seus conceitos... vale a pena mudar. Só sentimos que erramos quando já foi... já era! "Ainda dá tempo" como diz um amigo meu. É verdade... ainda dá tempo!
Os Ganzo Que São Duque
Pedro Duque e Juan Ganzo Fernandez.Pedro Casou-se com Virgínia Ganzo Fernandez, irmã de Juan.Mudaram-se para Porto Alegre/Brasil em 1917. Seu filho Saul Carlos Ganzo Duque mudou-se para Santa Catarina junto com seu tio Juan Ganzo Fernandez, na ocasião da instalação da Cia. Telefônica Catarinense, provavelmente no ano de 1927. Saul já estava casado com Carlota Sanches e tiveram três filhos: Carlos Duque, Gil Duque e Solange Duque. Desde então, o sobrenome Ganzo não é mais utilizado! Gil Duque é o pai das primas Denise, Kiti, Eliane e Rosane Duque. E Carlos Duque é o pai do primo Carlos Saul, Letícia e Guilherme Duque.
Olá minha família... primeiramente quero lembrar-lhes os motivos que me levam a escrever neste blog: Resgatar nossas origens, descobrir nossos familiares, reunir nossa família. E é isto que irei tratar hoje, com emoção!
Poucos dias atrás, em conversa com minha mãe sobre os Ganzo, perguntava eu a respeito de um tio que minha mãe já havia comentado e que ela lembrava o nome, dele e de alguns outros: Saul Duque, Solange Duque, Adão Duque... e lembra que o Saul Duque tinha um hotel (Hotel Duque ?) em Blumenau. Pois bem, lembrou-se também de ter conhecido uma prima que teria feito ginástica na Academia Albertina Ganzo de Danças, de sua propriedade. Questionei o nome desta prima e pedi para que minha mãe localizasse a ficha de matrícula e talvez o telefone. Naquela mesma noite, minha mãe ligou para o número encontrado e deixou recado. Ligou-me em seguida passando o número e da mesma forma... deixei recado! A surpresa foi que no dia seguinte, esta prima nos retorna a ligação... seu nome: Denise Franco Duque! Afinal, encontrei mais primos espalhados. Que legal... estou tão feliz! Agora, já pude trocar idéias, dados que faltavam para a árvore genealógica e também novos amigos.
Estamos agora todos adicionados ao Orkut e podemos nos comunicar há qualquer momento.
Soube também, que seu avô, Saul Duque, deve ter se desentendido com os familiares na época, a ponto de não assinar mais o sobrenome Ganzo. Assim, todos de sua descendência acabaram por anexar apenas o Duque ao sobrenome. Ora... ainda são os Ganzo, primos, família.
É um prazer enorme poder lhes conhecer. Sejam bem-vindos à família Ganzo!
Através da Denise Duque, já contactei com Cristiane Duque, Eliane Duque e o primo irmão delas, Carlos Saul Duque.
Agora, vamos tentar juntos levantar mais dados, mais fotos, mais histórias... tentar nos reunir e de uma vez, esquecer as diferenças entre os familiares... vamos penasar positivo e sentir o prazer de termos uma família.
Um grande abraço a todos e uma ótima semana!!!
Obs. Tive o imenso prazer de receber mais alguns detalhes desta história. Desta vez, do primo Carlos Duque, filho de Saul Duque. Conta-me ele que Saul Duque teve dois hotéis em Blumenau. O primeiro era o Hotel das Palmeiras e era de propriedade da família. Após vendê-lo, arrendou o segundo, que se chamava Hotel Holletz.
23 abril 2007
Refinaria Ipiranga e Juan Ganzo - Outra reportagem
Juan Ganzo Fernandez de terno branco a esquerda e Juan Carlos Ganzo Fernandez, quarto a direita (terno cinza). Mais uma reportagem sobre a venda da Ipiranga! O nome de Juan Ganzo Fernandez é mais uma vez lembrado. O único lamento é o fazerem após 50 anos de sua morte!
Luis Nassif: A saga da Ipiranga
Luís Nassif / Gazeta de RibeirãoLuis Nassif: A saga da Ipiranga
A saga da Ipiranga
Vendida na semana passada para a Petrobrás, Brasken e Ultra, a Ipiranga é a própria história do setor petrolífero brasileiro. Foi a primeira refinaria a operar comercialmente no Brasil, em Uruguaiana, abastecida por petróleo cru da Argentina.
Em 1933, o pecuarista brasileiro João Francisco Tellechea, junto com Eustáquio Ormazabal, comerciante e pecuarista argentino naturalizado brasileiro, mais os argentinos Raul Aguiar e Manuel Morales, e Varela, grande advogado argentino, decidiram criar uma pequena empresa de derivados de petróleo, a Destilaria Rio-Grandense de Petróleo. Começou a operar em 26 de novembro de 1934, com produção de cerca de 400 barris/dia.
O transporte de matéria prima era desafio parecido com o de Aníbal, o Cartaginês, para chegar a Roma. Os navios-tanque, com petróleo cru, contornavam o sul do continente, atracavam no porto de Buenos Aires, de onde o petróleo ia de trem até a argentina Paso de los Libres, cruzava o rio Uruguai em uma chata-tanque e era desembarcado direto na Destilaria.
A Destilaria tinha pouco mais de um ano de vida quando, em 1936, o governo Perón proibiu a reexportação de petróleo a partir do território do país. Fixava um prazo de doze meses para interromper definitivamente o fluxo.
Um segundo grupo de empresários do cone sul –os uruguaios Juan Ganzo Fernandez, Numa Pesquera, Luiz Julio Supervielle e os brasileiros Her Ribeiro Mattos e Oscar Germano Pedreira – tinham planos para uma segunda destilaria, em Santana do Livramento, na fronteira com Uruguai, de onde contavam trazer o petróleo cru.
Percebendo as dificuldades, os dois grupos decidiram unir esforços. A solução encontrada foi juntar os capitais e construir uma nova unidade, na cidade do Rio Grande, para armazenar 80 mil barris de petróleo cru. Em 6 de agosto de 1936 nascia a Ipiranga S.A. Companhia Brasileira de Petróleos. O custo da refinaria era de 12 milhões de dólares. O capital foi dividido em partes iguais entre os brasileiros, os argentinos e os uruguaios.
A criação do Conselho Nacional de Petróleo, pelo Decreto-Lei n° 395, de 29 de abril de 1938, interrompeu os planos. O setor foi nacionalizado, obrigando os acionistas estrangeiros a venderem sua parte. O advogado Varela representava na Argentina o escritório de Eduardo Americano , onde trabalhava o jovem advogado João Pedro Gouvêa Vieira. Por indicação de Varela, João Pedro foi incumbido de fazer a petição para o presidente do CNP, solicitando que não aplicasse efeito retroativo à lei.
Fartos do Brasil, os argentinos ofereceram a João Pedro sua parte no negócio. A entrada seriam os honorários devidos. O restante seria pago em dez anos.
À medida que a Ipiranga foi crescendo, para subscrever os aumentos de capital João Pedro foi vendendo parte de suas ações a Francisco Martins Bastos, grande amigo e engenheiro responsável pela montagem da Ipiranga.
Nos anos 30, a Ipiranga foi fruto de uma fantástica visão modernizadora, de grupos familiares juntando seus capitais. Em 2007 foi vítima do anacronismo, de não ter sabido como estabelecer uma governança que colocasse a empresa a salvo das disputas familiares.
Refinarias 1
Quando houve a montagem das primeiras refinarias brasileiras, em 1945, o líder da Ipiranga, João Pedro Gouvêa Vieira, foi pressionado pelo coronel João Carlos Barreto, diretor do Conselho Nacional do Petróleo (CNP) a se transformar em uma espécie de testa-de-ferro da Golf Petróleo, petrolífera americano que tentava enfrentar o domínio da Standard Oil no Brasil. Barreto substituíra o coronel Horta Barbosa no CNP.
Refinarias 2
Na licitação promovida pelo CNP, o critério utilizado foi o das relações pessoais e políticas. Embora sem tradição na área, e sem capitais, foram beneficiados os grupos Soares Sampaio e Peixoto de Castro. Depois de obtidas as concessões, eles trataram de ir atrás de sócios que dispusessem de capital e de conhecimento. Apesar de pioneira, a Ipiranga se considerou prejudicada pelas regras de concessão.
Refinarias 3
A refinaria precisava produzir quatro produtos básicos para colocar no mercado, mas a legislação os obrigava a colocar quantidades iguais de gasolina, diesel, óleo querosene e óleo combustível. Havia dificuldade na colocação do óleo combustível, devido a problemas de armazenamento, o que dificultava a colocação dos demais subprodutos. Esse era um dos fatores que inviabiliza um refino brasileiro.
Refinarias 4
Mas o principal problema era a concorrência com os importados. A defesa do setor era uma lei que proibia as companhias estrangeiras de importar produtos de petróleo produzidos internamente. Mas ela nunca havia sido aplicada. Quando o coronel Barreto perguntou a João Pedro o que poderia viabilizar as refinarias, ele indicou a lei. O governo Vargas passou a aplicar, então, a lei, viabilizando as companhias.
Refinarias 5
O grande apoio que o Brasil teve para o sucesso da lei foi o trabalho persistente do embaixador americano Adolfo Berle Jr que passaria injustamente para a história como golpista. Especialista em direito econômico, percebera o mal que a concentração produzia, além de ter testemunhado os estragos que as sete irmãs petrolíferas fizeram em outros países latino-americanos, especialmente na Venezuela.
Refinarias 6
Coube a Berle Jr rebater o formidável poder da Standard Oil. Sua atuação só veio a público nos anos 90, quando o historiador Stanley Hilton divulgou as correspondência diplomáticas e a extraordinária atuação de Adolfo Berle Jr em favor do Brasil. Ele fazia parte dos homens de Roosevelt, que ajudaram na implantação da New Deal, o programa de recuperação econômica americana dos anos 30.
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